Fumaça dos incêndios florestais no Amazonas paralisa operações aéreas de combate ao fogo
A densa fumaça gerada pelos incêndios florestais que assolam o Amazonas impediu, neste sábado, 17 de novembro, que as aeronaves essenciais para o combate às chamas pudessem decolar. A visibilidade reduzida nos dois principais aeroportos de Manaus comprometeu seriamente a segurança das operações aéreas, conforme informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O órgão ambiental expressou a esperança de que as condições meteorológicas melhorem nas próximas horas, permitindo a retomada das atividades aéreas que são cruciais para conter o avanço do fogo em diversas áreas do estado. A paralisação representa um grande obstáculo para os esforços em andamento.
Essa situação agrava ainda mais a crise ambiental e humanitária no estado, que já decretou situação de emergência em 36 municípios devido à intensidade dos incêndios. A colaboração entre diferentes esferas de governo e a atuação de brigadistas são fundamentais neste momento, conforme divulgado pelo Ibama.
Força-tarefa com 11 aeronaves e 250 brigadistas se vê impedida de atuar
A força-tarefa dedicada ao combate aos incêndios conta com um arsenal significativo de 11 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor, um avião da Defesa Civil estadual, um robusto KC-390 e três helicópteros. Os aviões Air Tractor são especializados em lançamentos rápidos de água diretamente sobre as chamas, enquanto o KC-390 tem a capacidade de transportar grandes volumes para despejos aéreos em áreas de difícil acesso. Os helicópteros desempenham um papel vital no transporte de brigadistas e equipamentos, além de também realizarem lançamentos de água.
Em paralelo, cerca de 250 brigadistas atuam diretamente em campo, prestando apoio às equipes coordenadas pelo Ibama e por outros órgãos federais. Desde o início da temporada de incêndios, o Ibama informou ter conseguido extinguir 292 focos de incêndio no estado, mas ainda luta para controlar outros oito focos ativos que ameaçam a vegetação amazônica.
Incêndios no Amazonas dobram em um ano, superando recordes anteriores
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam um cenário alarmante: entre 1º de janeiro e 12 de outubro deste ano, o Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio. Este número representa um aumento assustador de 116% em comparação com os 3.611 focos contabilizados no mesmo período do ano anterior. A situação levou o governo federal a reconhecer a emergência em 36 municípios amazonenses há uma semana, mobilizando aeronaves e brigadistas adicionais.
A fumaça densa não afeta apenas as operações de combate, mas também prejudica gravemente a qualidade do ar em áreas distantes dos focos de incêndio. Segundo a Prefeitura de Manaus, a concentração de partículas finas (MP2,5) chegou a atingir um nível classificado como “pessímo”, representando um risco à saúde da população.
Ministro do Meio Ambiente aponta possível ação criminosa por trás dos incêndios
Após sobrevoar áreas devastadas pelo fogo no Amazonas em 11 de outubro, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, levantou a possibilidade de ação humana intencional para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento futuro. Ele destacou que incêndios iniciados diretamente no interior da floresta, e não em áreas de pastagem que avançam sobre a mata, podem indicar o uso deliberado do fogo.
O ministério ressaltou que a investigação das circunstâncias e a identificação dos responsáveis por esses incêndios são cruciais e dependem dos órgãos competentes. Enquanto isso, a polêmica sobre as causas e a responsabilidade pelos incêndios continua, com a ex-ministra Marina Silva criticando declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre o desmatamento na Amazônia, chamando-o de “ignorante” e contestando seus dados sobre a destruição ambiental no período.





















