Reitora da Unila contesta nota 2 do MEC em Medicina e pede revisão ao ministro Camilo Santana
A reitora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Diana Araújo, contestou publicamente a nota 2 atribuída ao curso de Medicina da instituição no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A declaração ocorreu na presença do ministro da Educação, Camilo Santana, durante visita às obras do futuro campus da universidade em Foz do Iguaçu (PR).
O Enamed, divulgado pelo Ministério da Educação, classificou o curso da Unila como insatisfatório, uma nota que pode levar à redução de vagas e ao bloqueio de programas federais. A universidade já protocolou um pedido de revisão junto ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), alegando possíveis inconsistências no cálculo das notas.
A avaliação do Enamed, que varia de 1 a 5, considera notas 1 e 2 como abaixo do desempenho mínimo satisfatório. No Paraná, seis de 21 cursos de Medicina obtiveram nota máxima (5), enquanto três alcançaram o conceito 2, como a Unila. Conforme divulgado pelo MEC, cursos com conceito 2 podem sofrer redução no número de vagas para novos ingressos e restrições em programas como o Fies.
Ministro defende rigor do exame, mas reitora aponta necessidade de revisão
Diante do ministro Camilo Santana, que vistoriava as obras do campus Arandu, a reitora Diana Araújo solicitou esclarecimentos e destacou que o resultado ainda não é definitivo. Ela informou que a própria Unila foi alertada pelo Inep sobre potenciais irregularidades no processamento dos resultados.
“Acreditamos que esse resultado é ainda parcial. Já enviamos o pedido de revisão técnica porque identificamos pontos que podem ter sido computados incorretamente. Pela nossa análise interna, a tendência é que o curso alcance conceito 3, nota mínima considerada satisfatória”, afirmou a reitora.
Fatores estruturais e busca por hospital universitário podem ter influenciado desempenho
A reitora também mencionou fatores estruturais que podem ter impactado o desempenho do curso de Medicina da Unila, como a ausência de um hospital universitário próprio. Este é um elemento crucial para a formação prática dos estudantes e sua criação é uma prioridade para a instituição, que avalia parcerias com entidades locais e regionais.
O ministro Camilo Santana, por sua vez, defendeu o rigor do Enamed como uma ferramenta de diagnóstico e regulação, e não de punição. Ele enfatizou que universidades federais precisam oferecer cursos de qualidade, alertando que notas baixas implicam em sanções como redução de até 50% ou 25% nas vagas e bloqueios em programas federais.
Unila aguarda conclusão da revisão antes de discutir sanções
A Unila apresentará sua defesa administrativa dentro do prazo concedido pelo MEC. A reitora Diana Araújo evitou antecipar conclusões sobre possíveis sanções, aguardando a finalização do processo de revisão técnica para apresentar os argumentos da instituição. O objetivo é garantir a qualidade da formação médica oferecida pela universidade.















