BR-101: Túneis no Morro dos Cavalos terão custo bilionário e serão pagos via pedágio; entenda as mudanças na concessão
O tão aguardado projeto de construção de dois túneis no km-232 da BR-101, em Palhoça (SC), na região do Morro dos Cavalos, foi oficialmente anunciado pelo Ministro dos Transportes, Renan Filho. A obra, que visa desafogar um dos principais gargalos logísticos do Sul do Brasil, terá um custo estimado em R$ 2,5 bilhões e será financiada através de reajustes nas tarifas de pedágio. As obras devem começar em até um ano, com previsão de conclusão para 2029.
O trecho em questão, com 23 quilômetros de extensão, é conhecido por seus frequentes acidentes, deslizamentos e interdições, impactando diretamente o fluxo entre Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). A complexidade do local, que atravessa uma aldeia indígena e é cercado por encostas e mata densa, exige um investimento significativo para garantir a segurança e a fluidez do trânsito.
A viabilização deste megaplanejamento foi possível através de uma alteração na concessão do trecho da rodovia, que vai do km-221 ao km-244. A gestão passará da Arteris Litoral Sul para a Motiva (antiga CCR ViaCosteira). Conforme informações divulgadas pelo Ministério dos Transportes, a nova concessionária assumirá a praça de pedágio entre Palhoça e Paulo Lopes até agosto deste ano, sendo esta a responsável por custear a obra por meio de reajustes graduais na cobrança. O ministro Renan Filho assegurou que não haverá aumento imediato na tarifa de pedágio.
Transferência de Concessão: A Chave para Destravar o Investimento Bilionário
Após mais de uma década de impasse, a transferência da concessão se mostrou a solução técnica para viabilizar o investimento nos túneis do Morro dos Cavalos. O projeto original da Arteris Litoral Sul, firmado em 2008, não contemplava a construção dos túneis. A proposta ganhou força em agosto de 2025, durante a revisão quinquenal do contrato da Motiva com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) apresentou o pedido à ANTT, argumentando que a Motiva, operando um trecho com tarifas mais baixas, teria margem para assumir o investimento. O presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, classificou o anúncio como um “avanço histórico”, resultado de “muito diálogo e pressão institucional”.
Impacto na Competitividade e a Longa Espera por Soluções
A demora na resolução do problema no Morro dos Cavalos tem sido apontada pelo setor industrial como um fator de perda de competitividade para Santa Catarina. O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, destacou que muitas empresas podem ter deixado a região sul do estado devido aos riscos operacionais.
A Fiesc considera o túnel duplo a solução mais adequada, dada a importância estratégica do corredor e o crescimento econômico da região. No entanto, Seleme ressalta a necessidade de transparência quanto ao impacto no preço do pedágio e promete monitorar de perto os prazos e as tarifas, já que a obra não contará com recursos públicos diretos.
Críticas e Respostas: O Debate Político em Torno da Obra
Durante o anúncio, o Ministro Renan Filho criticou a proposta apresentada pelo governo de Santa Catarina em setembro de 2025, orçada em R$ 291 milhões, classificando-a como uma “ideia feita em PowerPoint” por carecer de projetos detalhados e licenciamento ambiental. Renan Filho afirmou que o Morro dos Cavalos “durante muito tempo foi utilizado como retórica, sendo usado para transferir a responsabilidade”.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), ausente na coletiva, rebateu as declarações. “Eu quero ver pronto. Se fizer, eu vou bater palma”, provocou Mello, demonstrando ceticismo em relação à concretização da obra. A proposta catarinense previa um traçado alternativo e adaptações no fluxo de trânsito, mas foi descartada pelo Ministério dos Transportes.






