O Ministério dos Portos e Aeroportos informou, nesta terça-feira (3), que recuou da decisão de flexibilizar o limite de passageiros no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A medida, que previa um aumento de 6,5 milhões para 7,5 milhões de passageiros anuais, gerou forte reação e culminou em uma reunião com o prefeito da cidade, Eduardo Paes (PSD).
Inicialmente, o ministro Silvio Costa Filho havia confirmado a alteração, negando que ela impactaria o fluxo no Aeroporto Internacional do Galeão. No entanto, a pressão pública e de setores empresariais levou à reavaliação da estratégia, que buscava atender ao expressivo crescimento do turismo e da aviação no estado.
A decisão final foi divulgada após um encontro entre o ministério e a prefeitura, indicando uma busca por uma agenda estratégica conjunta para o Rio de Janeiro. Conforme informação divulgada pelo Ministério dos Portos e Aeroportos, a mudança de rota visa alinhar os interesses e fortalecer o sistema aeroportuário fluminense como um todo.
Paes critica “forças obscuras” e defende o Galeão
O prefeito Eduardo Paes foi um dos principais críticos da proposta de aumento no Santos Dumont. Ele acusou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de ser influenciada por “forças obscuras” que atuavam para alterar a política estabelecida pelo governo federal. Segundo Paes, o objetivo dessas “forças” seria enfraquecer a restrição de voos no Santos Dumont, prejudicando a coordenação do sistema de aeroportos do Rio e o fortalecimento do Aeroporto do Galeão.
Setor produtivo demonstra preocupação com a flexibilização
Entidades representativas do Rio de Janeiro também expressaram preocupação com a potencial flexibilização. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) alertaram para os impactos negativos.
Isaque Ouverney, gerente de infraestrutura da Firjan, destacou a vocação de cada aeroporto: “O Santos Dumont tendo a vocação para ser um aeroporto de conexão doméstica, uma localização estratégica e o aeroporto internacional, por sua vez, tem a vocação de ser o hub internacional do Rio de Janeiro, transportando não só passageiros, como principalmente cargas”.
Reunião busca tom conciliatório e agenda estratégica
Em tom conciliatório, Eduardo Paes anunciou a reunião, ressaltando a parceria com o ministro Silvio Costa Filho. O prefeito reconheceu que o ministro “sempre foi um aliado na coordenação dos aeroportos do Rio, implementou as medidas que fortaleceram o Galeão e ampliaram a malha de voos do nosso estado”. A expectativa é que a partir dessa conversa, uma agenda estratégica e coordenada para o desenvolvimento dos aeroportos cariocas seja construída.
Ministério dos Portos e Aeroportos cede após debate
A decisão do Ministério dos Portos e Aeroportos de recuar demonstra a importância do diálogo entre as esferas de governo e a sociedade civil organizada. O episódio evidencia a complexidade da gestão do tráfego aéreo e a necessidade de considerar os impactos econômicos e logísticos para a cidade e o estado do Rio de Janeiro. A reversão da medida reforça a prioridade em manter uma política que harmonize o funcionamento dos aeroportos e promova o desenvolvimento regional.















