Brasil se destaca no cenário mundial impulsionado pela rivalidade comercial entre EUA e China, assumindo papel crucial no fornecimento de alimentos e atraindo investimentos em logística e minerais.
O Brasil está consolidando sua posição como uma potência exportadora global, beneficiando-se diretamente do cenário de tensão comercial entre os Estados Unidos e a China. Essa dinâmica tem criado oportunidades significativas, especialmente para o agronegócio brasileiro, que tem expandido sua participação em mercados estratégicos.
A crescente demanda chinesa por alimentos, aliada às restrições impostas pela disputa comercial com os EUA, tem fortalecido a posição do Brasil como principal fornecedor de produtos agrícolas para a Ásia. O país se aproxima da liderança mundial nesse setor, historicamente dominado pelos norte-americanos, demonstrando a força e a competitividade do seu campo.
Além do agronegócio, o Brasil também se beneficia da busca europeia por novos parceiros comerciais, impulsionada pelo protecionismo americano. O acordo entre Mercosul e União Europeia já demonstra resultados expressivos, com aumento nas exportações e a perspectiva de maior integração econômica. As informações são do economista Marcos Troyjo, destacadas durante o evento Money Week 2026, em Balneário Camboriú.
Agronegócio Brasileiro: Um Benefício Direto da Guerra Comercial
A China, com sua vasta população, busca incessantemente garantir o abastecimento alimentar de seus cidadãos. Historicamente, os Estados Unidos eram os maiores parceiros nesse quesito, mas a atual conjuntura política e comercial alterou esse panorama. Nos últimos cinco anos, o Brasil soube aproveitar essa brecha e se consolidou como o parceiro preferencial chinês. No último ano, as exportações agrícolas brasileiras alcançaram a expressiva marca de US$ 169,2 bilhões, ficando apenas US$ 2 bilhões atrás do total exportado pelos norte-americanos, que ainda lideram o ranking global.
Novo Acordo com a Europa Impulsiona Vendas Brasileiras
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio deste ano, já está colhendo frutos para o Brasil. A eliminação ou redução de impostos para aproximadamente 5 mil produtos nacionais resultou em um aumento de 26% nas vendas para o bloco europeu nos primeiros dois meses, em comparação com o mesmo período de 2025. Essa expansão ocorre em um momento em que os europeus também buscam diversificar suas parcerias comerciais, em resposta ao protecionismo adotado pelos Estados Unidos. O mercado europeu, embora com menor população que a China, possui um poder de compra e uma economia proporcionalmente maiores, representando uma oportunidade valiosa para os produtos brasileiros.
Logística Brasileira: Desafios se Transformam em Oportunidades de Investimento
Os tradicionais gargalos logísticos brasileiros, como deficiências em transporte e armazenamento, estão se tornando um ponto de interesse para investidores globais. Em um contexto mundial de preocupação com a segurança alimentar e energética, a capacidade produtiva do Brasil ganha ainda mais relevância. O economista Marcos Troyjo ressalta que esses problemas logísticos, antes vistos como desafios internos, agora atraem atenção internacional. O setor de logística no país deve receber cerca de R$ 300 bilhões em investimentos privados, através de concessões de rodovias e ferrovias, impulsionado pela necessidade global de agilizar a chegada da produção brasileira aos mercados internacionais.
Minerais Críticos: Oportunidade e Desafio para o Brasil Lucrar
O Brasil possui uma vantagem geográfica considerável por deter grandes reservas de minerais críticos, essenciais para a fabricação de tecnologias modernas, como smartphones, sistemas de defesa e robótica. No entanto, a exploração desses recursos enfrenta um desafio tributário significativo. Enquanto outros países cobram cerca de 18% de imposto sobre o processamento desses materiais, no Brasil a tributação pode chegar a 33%. Essa disparidade representa um risco de que o país continue apenas vendendo a matéria-prima bruta a baixo custo e, posteriormente, precise importar produtos tecnológicos acabados a preços elevados, o que demanda uma revisão na política tributária para maximizar os lucros com esses minerais estratégicos.











