Candidatos ao Governo Gaúcho em Campanha Ignoram Crise Climática em Meio a Chuvas Intensas
O Rio Grande do Sul se aproxima do primeiro turno das eleições em meio a uma grave crise climática. Temporais severos atingem o estado, causando destruição em centenas de municípios, com chuvas intensas e granizo de grandes proporções desde a semana passada.
A Defesa Civil reporta milhares de pessoas impactadas, cidades afetadas e, infelizmente, mortes confirmadas. A situação levou até mesmo a pedidos para suspender o uso de materiais de campanha visual nas ruas de Porto Alegre, devido ao risco de acidentes com ventos fortes.
Contudo, uma análise das redes sociais dos principais candidatos ao governo gaúcho, Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), revela uma notável ausência de menções recentes à crise climática que assola o estado. Informações divulgadas pela imprensa apontam que, até o início da semana, ambos dedicavam suas postagens à campanha eleitoral, abordando outros temas em vez da emergência climática. A pesquisa Real Time Big Data aponta Zucco com 41% das intenções de voto, contra 36% de Brizola.
Propostas Genéricas para um Estado em Crise Climática
Apesar da gravidade da situação, os planos de governo de Luciano Zucco e Juliana Brizola apresentam soluções genéricas para o enfrentamento de eventos climáticos extremos. Ambos os candidatos, que disputam a liderança nas pesquisas eleitorais, abordam a necessidade de prevenção e gestão de riscos, mas sem detalhamentos sobre cronogramas ou custos.
O plano de Zucco propõe um foco maior em prevenção, com o fortalecimento da Defesa Civil, a implementação de uma rede de monitoramento abrangente e sistemas de alerta à população. Ele também prevê planos de contingência atualizados, mapeamento de riscos e obras de prevenção, além da manutenção de estruturas de proteção e a criação de planos de continuidade para serviços essenciais.
Juliana Brizola e a Gestão Preditiva de Riscos
Por sua vez, Juliana Brizola também defende uma mudança de modelo, com foco em uma gestão preditiva de riscos climáticos. Sua proposta inclui a criação de um Sistema Integrado de Alerta Precoce, a profissionalização da Defesa Civil com a contratação de especialistas e o apoio aos municípios na elaboração de planos de contingência.
Adicionalmente, Brizola sugere a criação de uma rede gaúcha de pesquisa sobre eventos extremos, o fortalecimento de Comitês de Bacia e o financiamento de infraestruturas como cisternas e pequenas barragens, especialmente para a agricultura familiar. A proposta também contempla o apoio a soluções de infraestrutura verde e a reconstrução com critérios de resiliência climática.
Candidatos Evitam Foco em Desastres Naturais na Campanha Online
Apesar da urgência da situação, as redes sociais dos candidatos Zucco e Brizola não têm sido o palco principal para discussões aprofundadas sobre a crise climática. O deputado federal Zucco, por exemplo, fez uma postagem em 21 de setembro sobre um temporal, mas não retornou ao tema com a mesma intensidade em dias subsequentes, mesmo com o agravamento da situação. Sua postagem mencionava a suspensão de atos de campanha para colocar sua equipe à disposição dos municípios atingidos.
Juliana Brizola, por outro lado, teve sua última menção aos temporais em suas redes sociais quatro dias antes do início da semana, enfatizando a necessidade de monitoramento, alertas seguros e transparência na reconstrução. A pauta climática ganhou grande relevância no estado após as enchentes de 2024, que causaram inundações severas em diversas regiões, incluindo a capital Porto Alegre.
Eleições no RS com Disputa Acirrada e Foco em Outras Pautas
A menos de uma semana do primeiro turno, a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul segue acirrada. Pesquisas recentes indicam um empate técnico entre Zucco e Brizola, com Gabriel Souza (MDB) em terceiro lugar. A pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 24 e 28 de setembro com 1.600 entrevistados, aponta Zucco com 41% e Brizola com 36% das intenções de voto.
A campanha eleitoral segue seu curso, com os candidatos focando em suas plataformas e propostas para os diversos setores do estado. No entanto, a proximidade das eleições com a emergência climática levanta questionamentos sobre a priorização das pautas ambientais e a comunicação dos candidatos diante de desastres naturais de grande impacto.





















