Diretor do ConJur, Márcio Chaer, morre aos 71 anos após perseguir assaltante em São Paulo
O jornalismo jurídico brasileiro está de luto. Márcio Chaer, diretor e fundador da renomada revista online Consultor Jurídico (ConJur), faleceu neste sábado (data exata do falecimento, se disponível, ou apenas ‘neste sábado’), aos 71 anos. A notícia abalou autoridades, juristas e profissionais da área, que lamentam a perda de uma figura tão influente.
Chaer estava no banco do passageiro de um carro no centro de São Paulo quando o veículo foi abordado por um assaltante. O criminoso levou o celular do jornalista e, em um ato de desespero e coragem, Chaer desceu do carro para persegui-lo. Ele correu por algumas centenas de metros, mas acabou caindo. A suspeita inicial, conforme noticiado por jornais como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, é de que ele tenha sofrido um infarto ou mal súbito.
Apesar de ter sido socorrido, Márcio Chaer não resistiu e morreu no local. Sua morte precoce e em circunstâncias tão trágicas gerou uma onda de comoção e homenagens nas redes sociais e em notas oficiais. O legado de Chaer no jornalismo jurídico é inegável, tendo fundado o ConJur em 1997, um portal que se tornou referência na cobertura do Poder Judiciário.
Um Legado de Jornalismo Jurídico e Defesa da Democracia
Márcio Chaer foi um pioneiro na comunicação especializada em direito no Brasil. A fundação do Consultor Jurídico em 1997 marcou o início de uma nova era na forma como o Poder Judiciário era noticiado e compreendido pelo público. O ConJur não apenas inovou na difusão da informação jurídica, mas se consolidou como um espaço fundamental para o debate plural e a reflexão crítica sobre o Direito.
Autoridades máximas do sistema de justiça brasileira manifestaram profundo pesar. O Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ressaltou a contribuição inestimável de Chaer e sua dedicação à cultura jurídica nacional. Messias o descreveu como um difusor importante e uma marca especial para todos que o conheceram.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luís Felipe Salomão, em nota oficial, afirmou que a atuação de Márcio Chaer revolucionou a cobertura do Poder Judiciário. Salomão enfatizou que uma parte daqueles que defendem e respeitam a Justiça brasileira se vai com ele.
Ministros do STF Lamentam a Perda e Destacam a Importância do ConJur
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também utilizaram as redes sociais e notas oficiais para expressar suas condolências. Cristiano Zanin, ministro do STF, destacou que Chaer era um profundo conhecedor dos temas relacionados à Justiça e ao direito no país, ressaltando sua inteligência e seriedade.
Dias Toffoli, também ministro do STF, relembrou Chaer como um homem de bem e amigo das instituições jurídicas brasileiras. Toffoli o definiu como um defensor da democracia e da dignidade das liberdades constitucionais de comunicação, além de um amigo leal e íntegro que jamais desertou de sua vocação jornalística ética.
Alexandre de Moraes, outro ministro do STF, fez questão de salientar que, em tempos de desinformação e discurso de ódio, Márcio Chaer representava o melhor do jornalismo, com inteligência, seriedade, competência e independência. Sua visão sobre o papel do jornalismo foi amplamente elogiada.
Pioneirismo e Coragem na Cobertura do Sistema de Justiça
Edson Fachin, presidente do STF, classificou Márcio Chaer como um pioneiro na comunicação especializada da Justiça. Ele ressaltou que o ConJur, sob a liderança de Chaer, não só inovou na difusão de informações jurídicas, mas se tornou um espaço aberto ao pluralismo de ideias e ao debate crítico. Fachin também mencionou o Anuário da Justiça, iniciativa de Chaer que se tornou um divisor de águas para a gestão e o conhecimento do sistema de Justiça brasileiro, oferecendo um raio-x detalhado do trabalho judiciário.
Gilmar Mendes, decano do STF, expressou sua admiração e o chamou de um querido amigo. Mendes destacou que Chaer construiu uma plataforma que democratizou o acesso à informação jurídica de qualidade, tornando o ConJur uma referência para advogados, juízes e promotores em todo o país. O ministro também ressaltou a coragem e o destemor de Chaer em sustentar posições contramajoritárias, citando como exemplo a cobertura da Operação Lava Jato, que frequentemente gerava debates intensos entre jornalistas e articulistas do ConJur.





















