Eleição no DF: Celina Leão e Leandro Grass protagonizam disputa polarizada, com reflexos da polarização nacional entre Lula e Bolsonaro.
A corrida pelo Governo do Distrito Federal (GDF) reflete a polarização nacional observada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). A governadora Celina Leão (PP), que por pouco não garantiu a vitória no primeiro turno, busca manter sua vantagem contra o petista Leandro Grass, que almeja reverter o quadro.
Celina Leão conta com um amplo leque de alianças partidárias, incluindo PP, Republicanos, MDB, Podemos e PL. A campanha tem investido na associação com figuras como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, senadoras eleitas, buscando transformar essa rede de apoio em mobilização eleitoral efetiva. A estratégia é reforçar a identificação da governadora com o número 11, do PP.
Um dos desafios da campanha de Celina Leão foi a confusão de eleitores que digitaram o número 22, do PL, para governador, resultando em votos anulados. A governadora atribui parte desse episódio à sua proximidade com Michelle e Bia durante o primeiro turno, entendendo que isso pode ter gerado confusão. Conforme divulgado pelo próprio portal de notícias, Celina afirmou: “Acho que minha presença é muito junto com a Michelle e com a Bia, nós estávamos sempre juntas na campanha. Confundi um pouco a cabeça do eleitor, porque eu sou o número 11”. O objetivo agora é clara a distinção entre seu número e o do candidato presidencial aliado.
Estratégias de Campanha e o Desafio da Mobilização
Para o segundo turno, a campanha de Celina Leão pretende **ajustar a comunicação para diferenciar sua candidatura** daquela de Jair Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. A governadora destacou a necessidade de massificar a informação, especialmente nas zonas rurais, sobre sua identificação como número 11 e a de Bolsonaro como 22. A confusão, segundo ela, ocorreu em diversas urnas dessas regiões.
Celina também foca em **mobilizar o eleitorado que já a apoia e atrair aqueles que não compareceram às urnas** no primeiro turno. Ela alertou contra o risco de acomodação, declarando: “Esse clima de ‘já ganhou’ no segundo turno não pode acontecer”. Dos mais de 2,2 milhões de eleitores aptos no DF, cerca de 19% não votaram, o que representa aproximadamente 426 mil pessoas.
Crise no BRB e a Herança de Ibaneis Rocha
A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master tem sido um ponto sensível para a candidatura de Celina Leão. Assumindo o GDF após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), Celina busca dissociar sua imagem dos desgastes da gestão anterior. Ela evitou apresentar soluções imediatas para a crise do BRB durante a campanha, preferindo atribuir parte da responsabilidade ao governo federal.
O caso envolve a compra de títulos do Banco Master pelo BRB e a tentativa de aquisição do banco de Daniel Vorcaro, gerando instabilidade financeira. Apesar das especulações sobre uma possível privatização, Celina Leão **descarta publicamente essa hipótese**, afirmando que o BRB “está firme, tem mantido a liquidez”.
A governadora busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com a União, embora o governo federal já tenha informado não poder oferecer garantia. Celina também articula tratativas com bancos árabes. Paralelamente, ela manteve o ex-governador Ibaneis Rocha distante de sua campanha eleitoral, evitando que o desgaste de sua gestão contaminasse sua candidatura.
Leandro Grass: Aposta na Ampliação do Eleitorado
Leandro Grass (PT) enfrenta a tarefa de **superar uma desvantagem de 15,46 pontos percentuais** em relação a Celina Leão. Seu desafio é expandir o eleitorado para além da base de esquerda e conquistar os votos dos candidatos que não avançaram para o segundo turno, além de atrair os eleitores ausentes.
Grass tem buscado diálogo com as campanhas de Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). Enquanto Caputo declarou apoio a Celina Leão, firmando um compromisso com propostas do Novo, Belmonte adotou uma postura neutra. O petista, contudo, recebeu o apoio de Ricardo Cappelli (PSB), que ficou em quinto lugar na disputa. Grass declarou: “Temos 800 mil votos para buscar. Não é mais sobre esquerda ou direita, sobre um partido ou outro; é sobre o futuro de Brasília”.
Desafios de Alianças e o Cenário Político
A bancada de direita no Distrito Federal representa um obstáculo para Leandro Grass, mesmo que ele vença a eleição. A coligação de esquerda, que inclui PT, PV, PCdoB, PDT, PSOL e Rede, elegeu cinco deputados distritais, que somados aos dois do PSB, totalizam sete dos 24 assentos na Câmara Legislativa. Isso exigiria a construção de maiorias com partidos fora de seu espectro político.
Na esfera federal, a situação é semelhante. Dos oito deputados federais eleitos pelo DF, cinco apoiam Celina Leão. No Senado, Grass terá que lidar com a influência de Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves, todas alinhadas à sua adversária. Grass busca **evitar que a polarização nacional limite sua candidatura**, afirmando que, independentemente de quem vença a Presidência, seu governo manterá o diálogo para defender os interesses de Brasília.





















