Eleições 2026 no Rio: Quem sucederá Cláudio Castro? A disputa acirrada entre direita, centro e esquerda molda o cenário político fluminense.
Com o fim da gestão de Cláudio Castro (PL-RJ) se aproximando, a direita fluminense intensifica a busca por um candidato capaz de manter o grupo político alinhado a Jair Bolsonaro (PL) no comando do Palácio da Guanabara. A eleição deste ano é vista como crucial para a manutenção dessa influência no berço político da família Bolsonaro.
A segurança pública, bandeira histórica da direita, deve nortear o debate eleitoral. No entanto, o nome que representará a candidatura conservadora com o aval do bolsonarismo ainda é uma incógnita. A estratégia é clara: barrar as pretensões do prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), que lidera pesquisas e conta com o apoio de Lula.
Segundo levantamentos recentes, como os divulgados pelos institutos Gerp e Paraná Pesquisas entre setembro e outubro de 2025, Eduardo Paes tem potencial para vencer a eleição já no primeiro turno. O Paraná Pesquisas, por exemplo, aponta Paes com mais de 54% dos votos em cenários estimulados contra Washington Reis (MDB-RJ) e Rodrigo Bacellar (União-RJ). O Gerp também mostrou Paes na liderança, com mais de 37% em cenários que incluíam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O prefeito carioca confirmou que deixará o cargo em abril para concorrer. As informações são de acordo com as pesquisas citadas, que envolveram entre 1.000 e 2.000 entrevistados com margens de erro de até 3,16 pontos percentuais.
A prisão de Rodrigo Bacellar e o xadrez político de Castro
Um nome que parecia se consolidar na disputa, Rodrigo Bacellar (União-RJ), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), teve sua pré-candidatura abalada pela prisão em uma operação da Polícia Federal. Investigado por vazamento de informações, Bacellar foi solto por decisão do STF, mas o episódio o afastou do posto de sucessor de Castro.
A manobra inicial de Castro, ao indicar Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), abriu caminho para Bacellar assumir o governo e se fortalecer. Contudo, o governador rompeu com o ex-presidente da Alerj após este exonerar Washington Reis, outro pré-candidato. A prisão pela PF intensificou o distanciamento, deixando o cenário ainda mais incerto.
Caso Cláudio Castro decida concorrer ao Senado, ele precisará deixar o cargo de governador em abril, conforme a regra de desincompatibilização. Com a vacância no cargo de vice-governador e um comando provisório na Alerj, quem assume o Executivo é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto. Ele terá 30 dias para convocar uma eleição indireta para o mandato-tampão.
Secretários de Castro e aliados de Bolsonaro na disputa
O governador Cláudio Castro articula a candidatura do secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione (PL-RJ), que se filiou recentemente ao partido. No entanto, a sigla ainda não tem unanimidade sobre o nome ideal para a disputa.
Outro nome cotado para reforçar o debate da segurança pública é o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi. Ele foi sondado pela liderança do PL no estado, mas pode se filiar ao Progressistas. Curi foi o responsável pela operação Contenção, considerada a mais letal da história do Rio, com 121 mortes e 113 presos.
Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias, confirma sua pré-candidatura ao governo, mas depende de uma decisão do STF para evitar a inelegibilidade. Acusado de crime ambiental, Reis é um antigo aliado da família Bolsonaro e tem a simpatia de Flávio Bolsonaro, o que pode ser relevante para o senador na construção de seu palanque.
Reis afirma ter tranquilidade quanto ao processo no Supremo, citando que outros envolvidos, incluindo seus irmãos, já foram inocentados. Ele alega não ter tido participação no fato que gerou a condenação em 2016, referente a um loteamento irregular. O caso envolve um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) proposto pelo ministro Gilmar Mendes.
PT e PSOL: Alianças e candidaturas próprias no campo da esquerda
O PT, que chegou a lançar o nome de Fabiano Horta (ex-deputado federal e ex-prefeito de Maricá), tende a apoiar Eduardo Paes, repetindo a aliança de 2024. A força política do partido no estado é considerada limitada para lançar um candidato competitivo.
O PSOL, por sua vez, deve manter a estratégia de lançar candidatura própria, sem apoiar Paes. O deputado federal Glauber Braga é um dos nomes cotados, mas enfrenta risco de inelegibilidade após ter o mandato cassado pelo Conselho de Ética da Câmara. A possibilidade de inelegibilidade gera resistência interna na militância do PSOL no Rio de Janeiro.
Eduardo Paes, reeleito para seu quarto mandato como prefeito do Rio em 2024, é um aliado histórico de Lula, com quem mantém forte relação desde suas primeiras gestões na prefeitura carioca, entre 2009 e 2016.















