Juiz alerta sobre risco de narcoestado com infiltração do PCC na polícia de São Paulo
A prisão da delegada Layla Lima Ayub, recém-empossada em São Paulo e suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), provocou uma dura advertência do Judiciário paulista. A situação levanta sérias preocupações sobre a infiltração da maior facção do país em órgãos públicos e o perigo iminente de o Brasil se tornar um narcoestado.
Ao decretar a prisão preventiva de Ayub, o juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo, destacou a gravidade do caso. A delegada, que é namorada de um integrante do PCC no Pará, exemplifica o nível de penetração da facção em diversas esferas, incluindo a própria segurança pública, conforme apontou o magistrado.
“Se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegado de polícia, sobretudo no estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do país, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso”, ressaltou o juiz. A informação foi divulgada pelo portal Gazeta do Povo.
Delegada com histórico de defesa de membros do PCC é presa em São Paulo
Layla Ayub, que se apresenta nas redes sociais como delegada de polícia em São Paulo, ex-advogada criminalista e ex-policial militar do Espírito Santo, foi presa durante a operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo as investigações, ela teria conhecido Jardel Neto Pereira da Cruz, membro do PCC, em um presídio no Pará, onde atuava na defesa de presos ligados à facção.
O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello considera que este caso transcende a esfera individual e serve como um **sinal de alerta para as instituições brasileiras**. A possível infiltração do PCC na estrutura policial representa uma ameaça direta ao Estado de Direito, segundo o magistrado. A ousadia da organização criminosa foi evidenciada pelo fato de o faccionado ter participado do evento de posse da namorada, em 19 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista.
Participação em posse e atuação irregular após nomeação
O promotor do Gaeco, Carlos Gaya, destacou a audácia da organização criminosa, afirmando que Ayub demonstrava uma atuação próxima a lideranças do PCC, facilitando a comunicação entre eles ou agindo em benefício da instituição criminosa. O Secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, informou que a delegada chegou a atuar irregularmente após sua posse, participando de uma audiência de custódia mesmo após ter sido empossada, o que é contrária às normas.
Gonçalves, no entanto, ressaltou que não havia registros negativos contra a investigada que a impedissem de tomar posse após a aprovação no concurso público. Ele mencionou que a investigação social sobre a candidata foi bem-sucedida e não apresentou apontamentos. O promotor Gaya também descartou a possibilidade de fraude no concurso, indicando que a hipótese é de que Ayub tenha sido cooptada durante seu contato com lideranças do PCC no Pará, aprofundando-se com um relacionamento amoroso.
Infiltração na segurança pública é um alerta para o Estado de Direito
A investigação aponta que Layla Ayub manteve vínculo pessoal e funcional com integrantes do PCC, incluindo o relacionamento com o faccionado que estava em liberdade condicional. A participação dele no evento de posse, conforme relatado pelo juiz, foi considerada uma “ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas”.
O caso, que ganhou destaque nacional, reforça a necessidade de vigilância constante contra a infiltração de organizações criminosas em órgãos estatais. A atuação de um delegado de polícia, cargo de alta confiança e responsabilidade, supostamente a serviço de uma facção, é um indicativo preocupante sobre a fragilidade de mecanismos de controle e a necessidade de fortalecimento das instituições de segurança e do sistema de justiça.















