Avanço tecnológico e democracia em xeque
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou profunda preocupação com os rumos da democracia na era digital, durante sua participação na Cúpula de Nova Déli sobre os impactos da Inteligência Artificial. Segundo o presidente, as gigantes da tecnologia, as chamadas “big techs”, estariam colocando o regime democrático em sério risco, especialmente através da disseminação de discursos de ódio e desinformação.
A fala de Lula ecoa um debate global sobre a necessidade de regulamentar o ambiente online, visando proteger os cidadãos e as instituições democráticas. A inteligência artificial e seu potencial para moldar narrativas e influenciar a opinião pública foram temas centrais na discussão, com o presidente brasileiro destacando os perigos associados à velocidade e ao alcance das informações na internet.
Essa preocupação com a proteção da democracia, no entanto, levanta questionamentos sobre a postura do governo em relação a regimes autoritários, como a China, que Lula tem visitado e com quem busca parcerias. A busca por um modelo de gestão das redes sociais inspirado no país asiático gerou críticas e debates sobre a coerência da política externa brasileira e os limites da liberdade de expressão, conforme informações divulgadas.
Regulamentação global e o modelo chinês
Lula propôs a criação de uma regulamentação global para as big techs, defendendo que a Organização das Nações Unidas (ONU) lidere esse processo. Ele argumentou que os dados digitais estão sendo “apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente”, sugerindo a necessidade de um controle mais efetivo sobre o fluxo de informações e a monetização de dados.
O presidente brasileiro também revelou ter buscado inspiração e apoio na China para a regulamentação do ambiente digital. Lula teria solicitado ao presidente chinês, Xi Jinping, que indicasse um representante de confiança para auxiliar o Brasil no desenvolvimento de políticas de controle das redes sociais. Essa aproximação com o modelo chinês, conhecido por seu rigor no controle da internet, gerou controvérsias e críticas sobre a intenção de silenciar vozes dissidentes.
Críticas e o Carnaval no Brasil
Paralelamente às declarações internacionais, no Brasil, o governo tem enfrentado críticas que foram atribuídas a ataques coordenados por robôs durante o período de carnaval. A tese defendida pelo Planalto é de que a homenagem a Lula na Marquês de Sapucaí teria sido alvo de impulsionamentos negativos, configurando uma tentativa de descredibilizar o governo.
O episódio levantou a possibilidade de uma investigação para identificar a origem desses supostos ataques. Críticos, no entanto, apontam que, em uma democracia real, a crítica a figuras públicas, mesmo em momentos festivos, é natural e esperada. A tentativa de atribuir as críticas a bots é vista por alguns como uma forma de evitar o debate público e a responsabilização por falhas governamentais, como as que teriam levado à queda da escola de samba homenageada.
O “petismo” e a busca por unanimidade
A narrativa de que o “petismo nunca está errado” é frequentemente utilizada por críticos para descrever a postura do partido em relação a escândalos e críticas. A menção a eventos passados como o mensalão e o petrolão sugere uma tentativa de apagar ou minimizar a história, focando apenas na narrativa oficial. A sugestão de que as críticas ao governo são resultado de “discurso de ódio” e “desinformação” por parte das big techs é vista como uma estratégia para desviar o foco de problemas internos e consolidar o poder.
A busca por um ambiente onde apenas a voz governista possa ser ouvida é um anseio antigo do PT, segundo analistas. A aproximação com modelos de controle digital de países como a China reforça essa percepção, levantando preocupações sobre o futuro da liberdade de expressão e do debate democrático no Brasil. A ideia de que “tudo acaba em samba” no Brasil ganha um novo contorno quando se discute a liberdade de expressão e o controle da informação no país.















