Porto de Paranaguá se prepara para futuro com mega obra de logística ferroviária
O Porto de Paranaguá está prestes a inaugurar o novo Moegão, uma estrutura que promete transformar a logística de escoamento de grãos. Com 82,14% das obras concluídas, a expectativa é que os testes de operação comecem em março. Este empreendimento ambicioso visa aumentar significativamente a capacidade de descarregamento de trens, um gargalo histórico no transporte de soja, milho e farelo.
O projeto, que abrange uma área de quase 600 mil metros quadrados, é um investimento da Portos do Paraná, administradora dos portos paranaenses, com financiamento de R$ 658 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A nova infraestrutura é projetada para funcionar como um “funil tecnológico”, agilizando o recebimento e a transferência de commodities.
Quando estiver em plena operação, o Moegão tem a capacidade de receber 24 milhões de toneladas de grãos anualmente. A produtividade estimada prevê um salto impressionante, passando dos atuais 550 vagões descarregados por dia para 900 vagões, o que permitirá a movimentação de até 68 mil toneladas de produtos em um único dia. Essas informações foram divulgadas pela Portos do Paraná.
Aumento de 63% na capacidade e redução de custos com o Moegão
O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, aposta que “o Moegão vai revolucionar a logística ferroviária do Paraná e beneficiar a comunidade”. Empresas que utilizam o Porto de Paranaguá já iniciaram os trâmites para a interligação ao novo sistema. Rodrigo Buffara, gerente da cooperativa Cotriguaçú e representante da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), destaca que a iniciativa visa “maximizar o recebimento ferroviário, onde fica, na nossa visão técnica, a grande evolução do corredor de exportação, gerando um aumento de descarga ferroviária”.
A engenharia por trás do Moegão introduz uma pera ferroviária, uma via em formato circular ou de laço que permite o descarregamento simultâneo de até 180 vagões em três linhas independentes. Cada linha tem capacidade para descarregar 2 mil toneladas por hora, eliminando a necessidade de desmembrar os trens. Os vagões despejam a carga em funis subterrâneos, que a transportam por correias e elevadores até as linhas aéreas.
Conforme o projeto, este avanço representa um aumento imediato de 63% na capacidade operacional. Além disso, espera-se uma redução de 73% na emissão de CO2 e um aumento significativo na participação do modal ferroviário, de 15% para 50% nos próximos anos. A projeção é de uma economia de 30% nos custos de transporte.
Preparação para a Nova Ferroeste e melhorias no trânsito
O Porto de Paranaguá está se preparando para a demanda futura impulsionada pela Nova Ferroeste, um projeto de ferrovia com 1.304 quilômetros que ligará Maracaju (MS) a Paranaguá. Embora este projeto ainda aguarde licenciamento ambiental e definições para leilão, o Moegão já visa otimizar a infraestrutura portuária para receber o volume de cargas.
O diretor-presidente da Portos do Paraná ressalta que “o Moegão é uma obra que prepara o Porto de Paranaguá para o futuro e promoverá um equilíbrio com o modal rodoviário, que se manterá como uma opção forte de transporte até os portos paranaenses”. A nova estrutura logística também tem o potencial de reduzir consideravelmente o impacto no trânsito de Paranaguá.
Atualmente, existem 16 interseções férreas na cidade. Com a conclusão das obras, esse número cairá para apenas cinco. Os trens, que hoje cruzam 27 vias no lado leste, passarão por apenas cinco pontos, sem a necessidade de manobras internas, o que garantirá um fluxo mais contínuo e seguro.
Investimentos integrados para um porto mais moderno
O Moegão faz parte de um conjunto de obras e investimentos que estão modernizando o Porto de Paranaguá. Paralelamente às obras em terra, o consórcio belga-brasileiro Canal Galheta Dragagem assumiu a gestão do canal de acesso do porto por 25 anos. Este contrato, viabilizado após leilão realizado pela Antaq, prevê R$ 1,22 bilhão em investimentos nos primeiros cinco anos para ampliar o calado.
Essa ampliação permitirá que navios com capacidade salte de 78 mil para 125 mil toneladas. Adicionalmente, o porto ganhará um píer em “T” com quatro novos berços, um investimento de R$ 2,2 bilhões, com R$ 1 bilhão aportado pelo governo do estado na segunda fase do projeto. Em 2025, o pátio público de triagem do porto já registrou recordes, recebendo 507.915 caminhões, um aumento de 29,5% em relação ao ano anterior.















