Nova travessia em SC espelhada na Ponte de Guaratuba busca fonte de recurso
Municípios do nordeste catarinense avançam no projeto de uma nova ponte que ligará Joinville a São Francisco do Sul, sobre a baía da Babitonga. A iniciativa, inspirada no sucesso da Ponte de Guaratuba no Paraná, visa substituir a atual travessia de ferry-boat e impulsionar a logística e economia regionais.
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) da futura ponte, apelidada de “Ponte da Vigorelli”, está em fase final e sua conclusão é esperada para dezembro deste ano. O estudo, contratado pelo Consórcio Interfederativo Multifinalitário da Região da Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (CIM-Amunesc), é um passo crucial para definir os próximos passos do projeto.
Com a conclusão do Evtea, as prefeituras de Joinville, São Francisco do Sul, Itapoá e Garuva analisarão a viabilidade técnica e os traçados propostos, conforme suas legislações. Somente após essa etapa será possível orçar a obra e apresentá-la aos prefeitos em assembleia. A busca por fontes de financiamento é o principal desafio, com o Evtea apontando as primeiras possibilidades de modelos. Conforme informação divulgada pela Amunesc, o desafio agora é definir de onde virá o recurso principal para financiar a obra.
Inspiração Paranaense e Benefícios Regionais
A Ponte de Guaratuba, inaugurada em maio e com extensão similar à prevista para a travessia catarinense (1,2 quilômetro), custou cerca de R$ 400 milhões ao governo do Paraná. O projeto em Santa Catarina é visto como essencial para a integração de municípios, melhoria da mobilidade, redução de tempo de deslocamento, fortalecimento da logística e aumento da competitividade econômica da região.
O presidente do CIM-Amunesc e prefeito de São Bento do Sul, Antonio Tomazini Filho (PL), destaca que a ponte sobre a baía da Babitonga é um projeto de interesse regional que vai muito além da ligação entre Joinville e São Francisco do Sul. Ele enfatiza que a infraestrutura proposta é capaz de integrar ainda mais os municípios da Amunesc, fortalecer a logística e ampliar a competitividade econômica.
Desafios Burocráticos e Econômicos
Os principais entraves para a execução da ponte são de ordem burocrática e econômico-financeira. O primeiro desafio é adaptar o estudo técnico às regulações locais de cada município envolvido. Em seguida, a definição da principal fonte de recursos para o financiamento da obra é crucial. O Evtea deverá apresentar as primeiras sugestões de modelos de financiamento.
A Associação Empresarial de Joinville (Acij) vê no projeto uma obra relevante não apenas para o turismo, mas também para a logística das empresas instaladas no norte do estado. O presidente da Acij, André Daher, ressalta que a região é responsável por 20% das riquezas produzidas em Santa Catarina e que a conexão rodoviária com os portos existentes e futuros é um fator de relevância para o avanço da ideia da Ponte da Vigorelli.
Lições da Engenharia e Planejamento
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC), Carlos Alberto Kita Xavier, aponta que a Ponte de Guaratuba é um empreendimento com características semelhantes às da proposta para a baía da Babitonga, como a substituição da travessia por ferry-boat e uma extensão de cerca de 1,2 quilômetro. Ele ressalta que obras importantes deixam aprendizados e que, com planejamento, inovação e boa engenharia, é possível desenvolver infraestrutura que fortaleça a mobilidade, respeite o meio ambiente e impulsione o desenvolvimento regional.
A Amunesc afirma que, embora ainda seja cedo para comparações detalhadas com a Ponte de Guaratuba, a busca por fontes de recursos e financiamento pode envolver o governo do estado, o governo federal e instituições financeiras internacionais. O compromisso atual é garantir que todas as decisões sejam baseadas em estudos técnicos sólidos, considerando aspectos de engenharia, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental, fornecendo segurança para as próximas etapas do projeto.





















