O impacto do caso Orelha no turismo: agências de viagens cortam laços com hotéis em SC
A morte cruel do cão Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis (SC), transcendeu a esfera criminal e atingiu diretamente o setor de turismo. O caso, que ganhou notoriedade nacional e internacional, com manifestações de personalidades famosas e figuras políticas, desencadeou uma onda de rompimentos comerciais entre agências de viagens e alguns estabelecimentos hoteleiros.
As ações foram motivadas por informações sobre supostos laços familiares entre adolescentes investigados pelo crime de maus-tratos e empresários do ramo hoteleiro. Essa associação, mesmo que indireta ou baseada em equívocos em alguns casos, impulsionou empresas a tomarem medidas para salvaguardar sua reputação e seus valores.
Conforme informações divulgadas, agências como a ERS Viagens e Turismo, de São Caetano do Sul (SP), a Tâmeda Turismo e Seguros, de Santos (SP), e a Eurotrip Consultoria, de Anápolis (GO), anunciaram o fim de parcerias comerciais com hotéis envolvidos nas controvérsias. A Gazeta do Povo tentou contato com a Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Majestic Palace Hotel nega envolvimento e afasta rumores
Em nota oficial, o Majestic Palace Hotel Florianópolis esclareceu que não possui qualquer vínculo com os adolescentes que estão sendo investigados pela morte do cão Orelha. O empreendimento ressaltou que a família Daux, proprietária do hotel, não tem parentesco com os envolvidos no caso, desmentindo veementemente qualquer hipótese de conivência ou favorecimento.
Segundo o hotel, informações falsas circularam nas redes sociais, gerando ataques virtuais e ameaças. O Majestic Palace Hotel afirmou que está tomando as medidas legais cabíveis. A empresa reiterou seu repúdio a qualquer forma de violência contra animais e considerou “injusto e inaceitável” que um estabelecimento com histórico ético e transparente seja alvo de desinformação e associações indevidas.
O diretor do hotel, Rafael Daux, declarou: “Nossa família não possui qualquer vínculo com os investigados, e nossa atuação sempre foi pautada pelo respeito, inclusive à causa animal”. O empreendimento destacou seu histórico de mais de 15 anos como hotel pet friendly, apoiando iniciativas de adoção responsável. A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que o Majestic Palace Hotel Florianópolis não tem relação com o caso.
O trágico fim do cão Orelha
Orelha era um cão comunitário de aproximadamente 10 anos, conhecido e querido por moradores e frequentadores da Praia Brava. No dia 5 de janeiro, o animal foi encontrado gravemente ferido após uma agressão brutal em uma área de mata próxima à praia. Devido à gravidade das lesões, Orelha precisou ser submetido à eutanásia em uma clínica veterinária.
A perícia indicou que o cão foi atingido na cabeça por um objeto sem ponta ou lâmina, cujo instrumento não foi localizado. Quatro adolescentes são considerados suspeitos de envolvimento no crime de maus-tratos. Dois deles permanecem em Florianópolis, enquanto os outros dois teriam viajado para os Estados Unidos em um passeio previamente agendado.
Investigação aponta coação de testemunhas e busca por conexões
Além dos adolescentes, três adultos, incluindo familiares dos investigados, um advogado e dois empresários, são apurados sob suspeita de coação de testemunhas. Um vigilante de condomínio, apontado como vítima de coação, foi afastado de suas funções por questões de segurança.
A Polícia Civil apreendeu celulares e dispositivos eletrônicos dos adolescentes para análise, visando reforçar as provas. A investigação busca apurar a ligação de familiares envolvidos com a gestão de hotéis, com exceção do Majestic Palace Hotel Florianópolis. Mais de 20 pessoas foram ouvidas, e cerca de 72 horas de imagens de 14 câmeras foram analisadas, totalizando mais de mil horas de gravações consideradas.
Nova lei protege cães e gatos comunitários em Santa Catarina
Em resposta a casos como o de Orelha, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC), sancionou a Lei nº 19.726. A nova legislação estabelece a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário, oferecendo proteção legal a animais sem tutor fixo, mas que são cuidados pela comunidade.
A norma proíbe a remoção, maus-tratos e abandono forçado desses animais, além de permitir a instalação de abrigos, comedouros e bebedouros em áreas públicas. A lei, de autoria do deputado estadual Marcius Machado (PL), visa dar segurança jurídica e fortalecer as ações de bem-estar animal nos municípios catarinenses.






