Brasil em Xeque: O Avanço Implacável do Crime Organizado e o Futuro Incerto
O Brasil enfrenta um cenário alarmante, onde extensas áreas do território nacional, especialmente em grandes centros urbanos, estão sob o domínio de grupos criminosos armados. Confrontos violentos, execuções públicas e a infiltração em esferas políticas e econômicas pintam um quadro sombrio.
Enquanto autoridades buscam soluções e especialistas debatem a classificação do país como um possível narcoestado, o crime organizado continua sua expansão. A percepção da população sobre o problema é crescente, e a urgência de reverter esse quadro é cada vez maior.
Dados recentes de estudos internacionais e nacionais confirmam a gravidade da situação, evidenciando que o Brasil pode estar em um ponto sem retorno se ações eficazes não forem implementadas em breve. Conforme informações divulgadas em pesquisas recentes, o país vive uma realidade preocupante.
O Domínio Territorial do Crime Organizado
Um estudo da Universidade britânica de Cambridge, publicado na revista científica Perspectives on Politics, revela que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de brasileiros vivem em locais onde as leis das facções criminosas prevalecem sobre as do Estado. Isso representa uma parcela significativa da população, entre 25% e 30%, de acordo com o último Censo do IBGE.
Outra pesquisa, conduzida pelo Datafolha e divulgada em outubro do ano passado, aponta que ao menos 28 milhões de brasileiros residem em áreas controladas por facções ou milícias. Este número representa um aumento de cinco pontos percentuais em apenas um ano, demonstrando a rápida expansão do poder criminoso.
Expansão e Percepção da Ameaça
A presença de facções e milícias alcançou a vizinhança de 19% da população, segundo levantamento encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa entrevistou mais de 2.000 pessoas em todo o país e indicou que a influência do crime organizado é mais sentida em grandes cidades, capitais e na região Nordeste.
Curiosamente, tanto cidadãos de classes mais altas quanto os de classes mais baixas relataram a presença do crime organizado em suas comunidades com frequência semelhante. Aqueles que se sentem afetados pela criminalidade organizada também relatam com mais frequência o conhecimento sobre cemitários clandestinos e a presença de cracolândias em seus trajetos diários.
Violência como Principal Preocupação Nacional
A percepção de que a criminalidade organizada domina parte relevante do cotidiano nas cidades brasileiras é corroborada por diversos levantamentos. Uma pesquisa da Quaest, divulgada em novembro, aponta que a violência continua sendo a maior preocupação dos cidadãos, com 38% dos entrevistados apontando-a como o principal problema do país.
Este índice é o mais alto desde outubro de 2024, com um aumento de oito pontos percentuais em relação à rodada anterior do levantamento. Em agosto de 2023, a violência era a quarta maior preocupação, com apenas 10% das menções, contrastando com a economia, que liderava com 31%.
A Guerra contra o Crime: Um Cenário Desafiador
Apesar de uma ligeira redução na taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre 2022 e 2023, atingindo o menor índice dos últimos 11 anos, o número absoluto de vítimas ainda é alarmante: 45.747 pessoas foram assassinadas em 2023, uma média superior a 125 por dia.
O Atlas da Violência 2025, divulgado pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indica que as maiores taxas de homicídio se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Um relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias (Senapen) do Ministério da Justiça, do final de 2024, aponta a existência de pelo menos 88 facções criminosas no Brasil, um crescimento de cerca de 237% em cinco anos.















