Paraguai pede extradição de brasileiro preso pela Interpol na fronteira com a Argentina
O Ministério Público do Paraguai formalizou o pedido de extradição de Carlos Roberto Valiati, um brasileiro detido pela Interpol na fronteira entre Brasil e Argentina. Valiati era alvo de uma notificação vermelha e foi preso no dia 11 de dezembro, enquanto se dirigia à Argentina pela ponte internacional Tancredo Neves.
Ele viajava acompanhado do ex-prefeito de Santa Terezinha de Itaipu (PR), Cláudio Ebehard, que também foi abordado pelas autoridades argentinas. No entanto, Ebehard não possuía registro na Interpol nem qualquer ligação com o processo criminal que tramita no Paraguai contra Valiati.
Atualmente, Carlos Roberto Valiati está sob custódia da polícia argentina em Puerto Iguazú. A extradição depende da ratificação do pedido pelas autoridades paraguaias, amparada por um acordo bilateral entre os dois países que rege esses procedimentos judiciais. Conforme informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraguai, Valiati é investigado por crimes de apropriação e lesão de confiança, em um caso que remonta a 2016 e apura um esquema de fraudes financeiras.
Fraudes milionárias na empresa Caisa são o cerne da investigação
A investigação aponta que Carlos Roberto Valiati estaria envolvido em um esquema de fraudes financeiras que causou prejuízos milionários à empresa Caisa, especializada em implementos agrícolas e sediada em Ciudad del Este, no Paraguai. A empresa busca a restituição de cerca de US$ 7 milhões, mas o prejuízo total pode ser ainda maior.
Valiati, que foi cofundador da Caisa e atuou como sócio, gerente-geral e administrador entre 2006 e meados de 2016, teria se aproveitado de sua posição de confiança. Ele é acusado de realizar operações financeiras irregulares, incluindo a duplicação e falsificação de notas promissórias de clientes.
Esses documentos falsificados teriam sido usados como garantia para obter empréstimos pessoais em bancos, o que gerou perdas diretas ao patrimônio da Caisa. Auditorias internas também identificaram o recebimento de valores sem registro contábil e transferências diretas para contas bancárias particulares de Valiati.
Desvios mensais e fuga do país por quase uma década
Os levantamentos indicam que os desvios financeiros poderiam chegar a aproximadamente US$ 40 mil por mês. Este valor é consideravelmente superior à remuneração oficial que Valiati recebia pelo cargo que ocupava na empresa. Após renunciar abruptamente em junho de 2016, ele deixou o Paraguai, onde residia em Foz do Iguaçu (PR), e passou a ser considerado foragido.
A ordem de captura internacional contra Valiati foi formalizada somente neste ano, após ele permanecer foragido por quase nove anos. Sua localização e prisão na fronteira argentina puseram fim a um longo período como foragido da Justiça paraguaia. A prisão ocorreu quando ele se deslocava para a Argentina, momento em que foi identificado pela Interpol.
Defesa contesta legalidade da prisão e acusação rebate os argumentos
A defesa de Carlos Roberto Valiati, representada pela advogada Fabiana Irala, confirmou a detenção em território argentino, mas questiona a legalidade do processo. Segundo a defesa, Valiati nunca foi citado ou intimado sobre a ação penal no Paraguai, e não houve expedição de carta rogatória nem qualquer comunicação oficial.
A defesa alega que o pedido de detenção ocorreu após a decretação da revelia, o que violaria normas processuais e garantias previstas em acordos bilaterais e tratados internacionais. A advogada Fabiana Irala sustenta que essa situação prejudica os direitos de seu cliente.
Advogados da Caisa afirmam que Valiati tinha conhecimento do processo
Em contrapartida, os advogados da Caisa rebatem a versão da defesa. O advogado Arturo Acosta afirmou que a alegação de desconhecimento do processo é falsa. Segundo ele, Valiati tinha pleno conhecimento da ação penal, chegou a constituir defensores e apresentou um incidente de prejudicialidade no início do processo.
Acosta também declarou que Valiati tentou protelar o andamento do processo, recusando órgãos jurisdicionais após ter pedidos indeferidos. “Permaneceu foragido da Justiça por aproximadamente nove anos. É virtualmente impossível sustentar que desconhecia o processo, especialmente considerando que sua vida econômica e empresarial se encerrou no mesmo período em que empreendeu fuga e, desde então, não retornou mais ao Paraguai”, concluiu o advogado.















