Ponte da Integração: Longas Filas e Problemas Estruturais Causam Prejuízos a Caminhoneiros na Fronteira Brasil-Paraguai
A recém-inaugurada Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, a Presidente Franco, no Paraguai, está longe de cumprir sua promessa de agilizar a logística internacional. Nas primeiras semanas de funcionamento, a nova rota tem sido palco de longas esperas para caminhoneiros, que chegam a enfrentar até 24 horas para cruzar a fronteira. A situação é agravada por problemas estruturais nas aduanas de ambos os países.
A operação da ponte, que deveria desafogar o tráfego da Ponte da Amizade, ainda ocorre de forma limitada, restrita a caminhões vazios e em horários específicos, entre 22h e 5h. Essa restrição concentra o fluxo de veículos, resultando em filas quilométricas e longos períodos de espera. A situação tem gerado prejuízos financeiros, cansaço e insegurança para os motoristas, especialmente durante as madrugadas.
Os problemas não se limitam às filas. As estruturas das aduanas brasileira e paraguaia apresentam falhas desde a entrega das obras. No lado brasileiro, foram registrados vazamentos hidráulicos, danos em forros e falhas em sistemas de ar-condicionado e iluminação. No Paraguai, o sistema elétrico tem apresentado problemas, exigindo o uso de geradores. Técnicos de ambos os países elaboraram relatórios apontando inconsistências estruturais que precisam ser corrigidas para uma operação plena e segura. Conforme informação divulgada pelas fontes, o empreiteiro responsável pelas obras afirmou que os problemas estarão resolvidos até fevereiro.
Reforço nas Fiscalizações Impacta o Tempo de Travessia
Outro fator que contribui para o aumento do tempo de travessia na Ponte da Integração é o reforço nos controles migratórios e sanitários. Motoristas agora precisam realizar o registro migratório em ambos os países, um procedimento que não era sistematicamente exigido na Ponte da Amizade. A intensificação da fiscalização de alimentos transportados também tem gerado apreensões de produtos proibidos pela legislação sanitária.
O delegado da Alfândega da Receita Federal, César Vianna, explicou que, apesar de o registro migratório demandar mais tempo, ele é fundamental. Ele citou casos de prisões de motoristas com mandados em aberto no Paraguai, muitos por dívidas alimentares. As autoridades federais destacam que esses procedimentos seguem os protocolos legais e fazem parte da adaptação ao novo modelo de controle fronteiriço.
Próximas Fases e Expectativas para a Ponte da Integração
A segunda fase da operação da ponte, prevista para se iniciar em breve, permitirá a passagem de ônibus de turismo, também no período noturno. Em março, uma avaliação definirá a sequência da liberação de outros tipos de tráfego. O governo paraguaio sinalizou com a proposta de permitir o trânsito vicinal fronteiriço, modalidade prevista no acordo do Mercosul que facilita o trânsito para pessoas que moram em um país e trabalham ou estudam em outro.
Atualmente, brasileiros que vão ao Paraguai para compras, exceto de subsistência, não podem cruzar pela Ponte da Integração, e não há previsão de cota de produtos. Esse esquema de funcionamento restrito deve seguir até meados de 2027, quando estão previstas a conclusão de obras complementares. Enquanto isso, caminhoneiros e sindicatos cobram ajustes na operação, ampliação de horários e melhorias na infraestrutura das aduanas para reduzir filas e garantir condições de trabalho mais dignas, na expectativa de que a nova ponte cumpra seu papel de facilitar o transporte internacional.















