Avanço da censura na Europa: Espanha implementa medidas controversas em redes sociais e gera debate global
A Espanha, sob o comando do primeiro-ministro Pedro Sánchez, tem implementado um conjunto de medidas que estão sendo interpretadas por muitos como um avanço da censura na Europa. A principal delas visa monitorar a disseminação de “discurso de ódio” e “polarização” nas plataformas digitais, além de proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais sem verificação de idade eficaz.
Essas ações têm provocado reações fortes, especialmente de figuras como Elon Musk, proprietário do X (antigo Twitter), que classificou o premiê espanhol como “tirano” e alertou para a interferência pesada na liberdade de expressão. A forma como a imprensa tradicional tem noticiado o caso, muitas vezes retratando Sánchez como vítima de “ataques” de Musk, também tem sido criticada.
A discussão sobre a regulação das redes sociais ganhou contornos mais complexos, especialmente após a admissão de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, de que suas plataformas atuaram para “rebaixar histórias” durante a pandemia e períodos eleitorais. Isso levanta questionamentos sobre a manipulação da opinião pública por grandes empresas de tecnologia e a reação, ou a falta dela, da mídia tradicional.
O que dizem as novas regras espanholas
As medidas implementadas pelo governo espanhol incluem a criação de um “sistema de monitoramento da disseminação de ódio e polarização”, com o objetivo de rastrear plataformas digitais que, segundo o governo, “alimentam a divisão e amplificam o ódio”. Além disso, busca-se proibir o acesso às redes sociais para menores de 16 anos, exigindo que as plataformas “implementem sistemas eficazes de verificação de idade”.
Críticos argumentam que termos como “discurso de ódio” e “desinformação”, frequentemente utilizados em debates sobre regulação digital, podem se tornar ferramentas para a perseguição de adversários e o controle da opinião pública. Essa retórica, segundo alguns analistas, é disseminada por organizações internacionais e pode levar à legalização do despotismo.
A controvérsia sobre a liberdade de expressão
A forma como essas medidas são apresentadas e implementadas levanta sérias preocupações sobre a **liberdade de expressão**. Enquanto o governo espanhol defende as ações como necessárias para criar um ambiente digital mais seguro e civilizado, críticos como Elon Musk as veem como um claro exemplo de **censura** e autoritarismo. A discussão é complexa, envolvendo o papel das plataformas digitais na sociedade e os limites da intervenção governamental.
A questão central é se essas medidas representam uma **regulação legítima** ou uma **restrição inaceitável** à liberdade de expressão. A forma como a imprensa e a sociedade civil reagem a essas iniciativas na Espanha pode definir um precedente para outras nações europeias e para o futuro da internet.
O papel das Big Techs na manipulação da informação
Um ponto crucial na discussão é o papel das próprias Big Techs. A admissão de Mark Zuckerberg sobre o “rebaixamento de histórias” em momentos sensíveis, como pandemias e eleições, expõe como essas plataformas podem **manipular a opinião pública**. Essa manipulação, que ocorreu mesmo quando as big techs agiam em consonância com certos interesses, não gerou a mesma indignação que as atuais medidas de controle governamental.
A crítica de Elon Musk, que acusa o governo espanhol de interferência pesada, ganha força diante desse histórico. A preocupação é que, ao invés de resolver o problema da manipulação, as novas regras possam simplesmente transferir o poder de controle para o Estado, criando um ambiente onde a crítica e a oposição possam ser facilmente silenciadas sob o pretexto de combater o “ódio” ou a “polarização”.
O risco de legalização do despotismo
A análise mais pessimista sugere que, se a sociedade não despertar para o que considera um “delírio autoritário”, o resultado final pode ser a **legalização do despotismo**. A abolição da crítica, sob o pretexto de criar ordem e segurança digital, abriria caminho para que governantes exerçam seus poderes de forma arbitrária. Esse cenário, longe de ser uma teoria distante, é visto por alguns como um caminho real que diversas sociedades consideradas “evoluídas” estão adotando ou permitindo que seja adotado.
A forma como as medidas de Pedro Sánchez serão recebidas pela comunidade internacional e pelos meios pensantes é um termômetro importante. A naturalização de tais ações poderia indicar uma aceitação crescente de regimes mais autoritários disfarçados de proteção e ordem.















