Lula e as Promessas Não Cumpridas: Um Legado de Expectativas Frustradas na Reta Final do Mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022 com um discurso de reconstrução e credibilidade, chega ao último ano de seu mandato com um acúmulo de promessas de campanha que permanecem, em grande parte, no campo das intenções. Esse descompasso entre o que foi dito e o que foi entregue tem sido um prato cheio para adversários políticos e pode representar um obstáculo significativo para seus planos de reeleição em 2026.
A análise dessas promessas revela um cenário onde diretrizes ideológicas, intervenção estatal e até mesmo um viés populista parecem ter guiado as ações, muitas vezes em detrimento da sustentabilidade e da transparência. A falta de fiscalização e uma certa apatia do eleitorado em relação ao cumprimento de metas de campanha contribuem para esse quadro, segundo especialistas.
Diante deste cenário, o governo Lula intensificou medidas econômicas apelidadas de “kit reeleição”, buscando ampliar benefícios sociais e fiscais para o eleitorado de baixa renda e a classe média. A estratégia visa gerar popularidade no curto prazo, mas críticos alertam para os riscos à rigidez orçamentária e ao endividamento público. Conforme reportagem da Gazeta do Povo em outubro de 2025, o endividamento público caminha para cerca de 84% do PIB até o fim de 2026.
A Picanha e a Cerveja Distantes do Povo: Inflação Ignora Discurso de Lula
Um dos símbolos mais marcantes da campanha de Lula foi a promessa de que o povo voltaria a comer picanha e tomar cervejinha. Contudo, dados do IPCA, divulgados pelo IBGE no início de janeiro de 2026, mostram um cenário diferente. Após uma queda inicial, os preços da carne e da cerveja registraram altas significativas em 2024 e 2025. A picanha acumulou alta de 8,74% em 2024 e 2,82% em 2025, enquanto a cerveja subiu 4,5% e 5,97% nos mesmos períodos. Uma pesquisa do Paraná Pesquisas em abril de 2025 indicou que 68,4% dos brasileiros sentem dificuldade em comprar esses itens, e 73,7% perceberam aumento de preços nos supermercados.
Sigilo de 100 Anos Persiste, Contradizendo Promessas de Transparência
A promessa de acabar com o sigilo de 100 anos em documentos oficiais, um marco de transparência pós-governo Bolsonaro, também não se concretizou plenamente. Embora Lula tenha derrubado sigilos da gestão anterior, em 2023 ele próprio impôs sigilo de 100 anos à agenda da primeira-dama Janja da Silva. Em 2024, uma norma da CGU eliminou a presunção automática de sigilo de 100 anos, mas a Lei de Acesso à Informação (LAI) ainda permite a manutenção de segredos por longos períodos, especialmente para informações pessoais, contradizendo o espírito da promessa.
Mandato Único Descartado: Lula Busca Reeleição Contra Promessa de Campanha
Em 2022, Lula afirmou categoricamente que faria um “mandato só”. A declaração, registrada em suas redes sociais, buscava construir uma imagem de compromisso com a população. No entanto, em outubro de 2025, durante uma viagem à Indonésia, o presidente declarou que disputará a reeleição em 2026. Essa mudança de posição foi vista por adversários como incoerência e apego ao poder, contrariando a promessa feita durante a campanha eleitoral.
Ministério da Segurança Pública: Uma Promessa Engavetada
A criação de um Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça, foi uma defesa de Lula durante a campanha, com o objetivo de coordenar políticas nacionais e apoiar estados no combate ao crime organizado. A proposta, no entanto, foi deixada de lado ainda na transição. Embora tenha havido tentativas de retomar o tema em 2024, a iniciativa enfrenta resistência de governadores e parlamentares, que a veem como uma concentração excessiva de poder em Brasília. A ministra Gleisi Hoffmann indicou em janeiro de 2026 que o governo poderá avançar com a ideia, mas dependerá da aprovação de uma PEC no Congresso.















