Investigação MP SC sobre ex-delegado-geral Ulisses Gabriel no caso cão Orelha
O Ministério Público de Santa Catarina abriu um inquérito civil para apurar a conduta de Ulisses Gabriel, ex-delegado-geral da Polícia Civil, em relação a episódios de maus-tratos contra animais em Florianópolis. A investigação se concentra em possíveis abusos e irregularidades administrativas que teriam ocorrido em janeiro, especialmente no contexto das investigações sobre a morte do cão Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo.
A 40ª Promotoria de Justiça da capital catarinense busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e ato de improbidade administrativa por parte de Gabriel. O inquérito foi instaurado após o recebimento de diversas reclamações sobre a atuação do ex-delegado-geral durante os procedimentos investigatórios.
Ulisses Gabriel, que se desligou do cargo de delegado-geral no início de março, declarou estar tranquilo e à disposição para prestar esclarecimentos oficiais. Ele argumenta que sua participação se limitou ao papel de porta-voz institucional da Polícia Civil, negando ter exposto adolescentes ou antecipado culpas no caso, conforme informado pela Gazeta do Povo.
Crimes em apuração e a defesa do ex-delegado
Os crimes que estão sendo apurados contra o ex-delegado-geral Ulisses Gabriel incluem abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e ato de improbidade administrativa. O inquérito civil foi aberto a partir de reclamações que apontam para a conduta de Gabriel nas investigações sobre a morte do cão Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo.
Em sua defesa, Ulisses Gabriel afirmou que aguarda a oportunidade de se manifestar oficialmente e que apenas exerceu o papel de porta-voz institucional. Ele negou ter exposto adolescentes ou antecipado a culpa de quaisquer envolvidos, ressaltando que o caso gerou mais desgaste pessoal do que benefícios para sua imagem.
Autonomia da investigação policial e impasse nas perícias
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que o caso foi conduzido por delegacias especializadas em proteção animal e atendimento a adolescentes, com total autonomia. Segundo a corporação, não houve interferência técnica ou administrativa de autoridades superiores no trabalho dos profissionais que concluíram o inquérito inicial em fevereiro.
O caso apresentou complexidade, pois após a conclusão do primeiro inquérito, a Justiça autorizou a exumação do corpo do cão Orelha. Um novo laudo veterinário não encontrou fraturas causadas por humanos, mas também não conseguiu determinar a causa exata da morte nem descartar completamente a hipótese de agressão, mantendo a investigação em um impasse técnico.
Motivação política para saída do cargo
Ulisses Gabriel deixou o comando da Polícia Civil de Santa Catarina no início de março por motivações políticas. Ele é pré-candidato ao cargo de deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Sua defesa também questiona a competência do Ministério Público para conduzir o inquérito civil, alegando que o cargo de delegado-geral possui prerrogativa de foro no Tribunal de Justiça.





















