Ferrogrão: STF decide futuro da obra bilionária que promete reduzir fretes e impulsionar agronegócio brasileiro
O futuro de um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil, a Ferrogrão (EF-170), está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF). A obra, que promete revolucionar o escoamento da safra brasileira e reduzir custos de transporte, enfrenta um impasse judicial relacionado à validade de uma lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará.
A ferrovia, com 933 quilômetros de extensão, conectará Sinop, em Mato Grosso, ao distrito de Miritituba, em Itaituba, no Pará. O objetivo é otimizar o transporte de grãos, como soja e milho, além de fertilizantes e derivados de petróleo, com capacidade estimada de 52 milhões de toneladas por ano. O projeto prevê investimentos de R$ 25 bilhões e uma concessão de 69 anos à iniciativa privada.
A decisão do STF sobre a Lei 13.452, de 2017, que flexibilizou os limites do Parque Nacional do Jamanxim para viabilizar o traçado da Ferrogrão, é crucial. O julgamento, que começou em 2021, foi interrompido e ainda não tem data para ser retomado. Conforme informações divulgadas, o ministro Flávio Dino pediu vista do processo, necessitando analisar novas compensações ambientais. Antes disso, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso votaram pela constitucionalidade da lei.
Ferrogrão: benefícios econômicos e ambientais em jogo
A implementação da Ferrogrão é vista pelo setor produtivo como um divisor de águas para a economia brasileira. Estima-se que a ferrovia possa reduzir os custos de frete em até 40%, injetando mais de R$ 8 bilhões anualmente na cadeia produtiva. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o impacto socioeconômico total do projeto superará os R$ 60 bilhões ao longo da concessão.
Além dos ganhos financeiros, o projeto aposta na sustentabilidade e segurança. A migração do transporte de cargas das rodovias para os trilhos deve aliviar o tráfego na BR-163, rodovia que registrou 106 mortes em 2022, e também reduzir as emissões de CO2. A expectativa é a geração de 14 mil empregos diretos na implantação e operação do sistema, consolidando a ferrovia como um novo eixo de desenvolvimento regional.
Debates sobre impactos ambientais e modelo logístico
O traçado da Ferrogrão chegou a ser contestado por atravessar uma área ambientalmente sensível. Pesquisadores levantaram preocupações sobre impactos cumulativos e projeção de desmatamento. No entanto, representantes do setor produtivo, como Carley Welter da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (Anatc), minimizam esses receios, afirmando que a ferrovia margeia a BR-163 e não cruza áreas indígenas.
Daniel Furlan Amaral, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), reforça a necessidade de compensações ambientais e benefícios para as comunidades locais. Ele destaca que o modelo rodoviário atual limita o crescimento do agronegócio brasileiro, sendo menos eficiente, mais poluente e gerador de congestionamentos. A integração ferro-hidroviária, segundo ele, fortalece a competitividade do Brasil no mercado global, seguindo o modelo de países desenvolvidos.
Ferrogrão: um novo desenho logístico para o país
A Ferrogrão tem o potencial de redefinir a logística de cargas no Brasil. Caminhões operariam em trajetos mais curtos, conectando áreas de produção aos terminais ferroviários. Carley Welter aponta que isso pode demandar veículos específicos e agilizar operações, reduzindo o tempo logístico e gerando empregos. Ele ressalta, contudo, que os impactos diretos de obras dessa magnitude só seriam sentidos a partir de 2035, considerando o longo prazo de implantação.
A decisão do STF sobre a Ferrogrão não afeta apenas o setor de transporte e agronegócio, mas também a perspectiva de um futuro logístico mais eficiente e sustentável para o Brasil. A análise da constitucionalidade da lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim é, portanto, um passo fundamental para destravar esse projeto estratégico.















