Câmara dos Deputados cria grupo de trabalho para regulamentar propaganda eleitoral nas redes sociais
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, anunciou nesta quarta-feira (28) a formação de um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar uma proposta para regular a propaganda eleitoral nas plataformas digitais. A iniciativa surge em um momento de intensos debates sobre o papel das big techs no processo democrático, especialmente após as eleições presidenciais brasileiras deste ano.
A criação do grupo de trabalho ocorre poucos dias após o término da eleição presidencial, na qual diversos partidos apresentaram alegações de que grandes empresas de tecnologia, como a Meta, teriam beneficiado determinadas campanhas. As controvérsias levantaram a necessidade urgente de estabelecer diretrizes claras para a publicidade política no ambiente online, buscando garantir um processo eleitoral mais justo e transparente.
O anúncio foi feito após uma reunião estratégica de Lira com presidentes de partidos importantes, onde também foram discutidas outras pautas relevantes para o futuro político do país. A iniciativa visa trazer regras claras para as redes sociais, equiparando-as às normas já existentes para a mídia tradicional, como rádio e televisão, e assegurando a paridade de armas entre os candidatos. Conforme informação divulgada pela fonte, Lira afirmou que “uma proposta de alteração do Código Eleitoral para que se inclua a discussão da propaganda eleitoral no âmbito das plataformas digitais”.
Unanimidade entre partidos para a regulamentação
Segundo o presidente da Câmara, o grupo de trabalho será formado em até 15 dias, contando com a representação de todos os partidos políticos. Cada sigla indicará um membro para integrar a força-tarefa, que terá a responsabilidade de desenvolver uma proposta concreta para a regulamentação da propaganda eleitoral nas plataformas digitais. Lira destacou que há uma unanimidade entre os partidos quanto à necessidade da medida, ressaltando a importância de evitar benefícios indevidos a qualquer candidato ou partido.
Meta nega interferência e alega falhas técnicas
Em resposta às acusações de favorecimento durante o último ciclo eleitoral, a Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, reconheceu a ocorrência de falhas técnicas pontuais que teriam afetado temporariamente as publicações de algumas campanhas. No entanto, a empresa negou veementemente qualquer tipo de interferência no processo eleitoral brasileiro. A Meta declarou que “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político”.
Objetivo é clareza e transparência, não censura
Arthur Lira enfatizou que o objetivo principal do grupo de trabalho é trazer clareza e transparência às regras de propaganda eleitoral no ambiente digital, e não censurar ou tolher a liberdade de expressão. A intenção é estabelecer critérios bem definidos que garantam um processo eleitoral equitativo, onde todos os candidatos tenham as mesmas oportunidades. A proposta visa aprimorar o Código Eleitoral para abranger as especificidades das plataformas digitais, assegurando um sistema isonômico e transparente para todos os envolvidos.
Próximos passos e prioridade na pauta legislativa
O presidente da Câmara informou que se reunirá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para dar andamento à proposta e buscar sua votação ainda este ano. O deputado classificou o tema como de alta prioridade para os próximos dias, indicando a urgência em avançar com a regulamentação. A discussão sobre o voto distrital misto também esteve na pauta, demonstrando um amplo leque de reformas eleitorais em debate no Congresso Nacional.











