Lula propõe governança global da Inteligência Artificial sob égide da ONU em evento na Índia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Déli, Índia, defendeu a criação de uma “governança global da inteligência artificial”, com a Organização das Nações Unidas (ONU) como principal centralizadora. Lula, que se referiu à capital indiana como “terra natal do mundo digital”, reconheceu o potencial transformador das novas tecnologias.
Contudo, o presidente expressou preocupação com os riscos inerentes à ausência de regulamentação. Ele apontou que a inteligência artificial, sem controle, pode ser utilizada para a produção de conteúdos manipulados, com potencial para distorcer processos eleitorais. Tal cenário, segundo ele, representa uma grave ameaça à democracia, à coesão social e à soberania das nações.
“Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder. Sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas”, argumentou Lula. A declaração foi feita em Nova Déli, conforme informação divulgada em notícias sobre o evento.
Concentração de poder e desigualdades digitais em pauta
O presidente Lula criticou veementemente a concentração de recursos e tecnologias de inteligência artificial nas mãos de poucos países e empresas. Ele utilizou dados sobre a parcela da população mundial que ainda vive sem acesso à eletricidade ou à internet para reforçar sua tese sobre a ligação entre as novas tecnologias e a ampliação do poder concentrado.
A discussão sobre a regulamentação da inteligência artificial, tema central da cúpula, levou Lula a abordar indiretamente a necessidade de regras para as chamadas “big techs”. O objetivo seria combater a radicalização política, fenômeno que, segundo ele, é potencializado pela monetização de conteúdos que geram grande apelo.
Índia como referência para desafios éticos da IA
Em seu pronunciamento, Lula buscou inspiração na rica herança cultural e intelectual da Índia. Ele destacou que as contribuições indianas nas artes, ciência e filosofia oferecem um “poderoso referencial” para enfrentar os dilemas éticos impostos pela inteligência artificial às sociedades contemporâneas. Questões como justiça, diversidade, inclusão e resiliência foram mencionadas como pontos de reflexão.
O presidente reiterou a importância da ação coletiva internacional para garantir que os benefícios da inteligência artificial sejam distribuídos de forma equitativa e que seus riscos sejam mitigados. A defesa de uma regulamentação global, centrada em organismos como a ONU, visa assegurar um futuro digital mais justo e democrático para todos os países.















