O Futuro das Pesquisas Eleitorais no Brasil: Lições de 2022 e Avanços Recentes
As pesquisas eleitorais são ferramentas cruciais no cenário político, mas seu desempenho em 2022 gerou debates e questionamentos sobre a precisão dos resultados. Institutos de pesquisa enfrentaram dificuldades em captar a real intenção do eleitorado, levando a discrepâncias significativas entre as sondagens e o resultado das urnas em diversas eleições importantes.
Essa performance abalou a confiança em algumas metodologias, e órgãos de controle chegaram a investigar possíveis falhas ou manipulações. No entanto, o cenário começou a mudar em 2024, com as eleições municipais demonstrando um reajuste e uma aproximação maior entre as projeções e os votos.
O que podemos esperar das pesquisas eleitorais em 2026? Conforme informações divulgadas por fontes especializadas, os institutos de pesquisa buscam aprimorar suas técnicas e metodologias para oferecer um retrato mais fiel do eleitorado brasileiro, especialmente após as lições aprendidas nas últimas eleições.
A Crise de Confiança e a Busca por Calibragem
A eleição de 2022 expôs fragilidades nas pesquisas eleitorais. No pleito presidencial, por exemplo, a diferença projetada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) foi significativamente maior do que a diferença final nas urnas. Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) aparecia na liderança, mas Tarcísio de Freitas (Republicanos) o superou no primeiro turno.
Situações semelhantes ocorreram em outras disputas importantes, como para o Senado em São Paulo e no Paraná, e para o governo do Rio de Janeiro. Esses resultados discrepantes levaram o então presidente do Cade, Alexandre Cordeiro Macedo, a pedir a abertura de um inquérito administrativo por suposta manipulação. A Polícia Federal também iniciou investigações.
Contudo, o Ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE na época, tornou sem efeito essas apurações, argumentando que a fiscalização dos institutos de pesquisa é de competência da Justiça Eleitoral e que as investigações careciam de indícios mínimos de ilícitos, baseando-se apenas em presunções.
A Recuperação em 2024 e as Explicações para as Divergências
Após as eleições de 2022, alguns institutos de pesquisa atribuíram as divergências a fatores como o atraso na coleta de dados do Censo Demográfico e a alta abstenção em certas localidades, que exigiram ajustes na forma de coleta de entrevistas e na predisposição da amostra em votar. Essas questões, ao que parece, foram abordadas com mais eficácia nas eleições municipais de 2024.
Em 2024, a precisão das pesquisas melhorou consideravelmente. Das 26 capitais, apenas em Cuiabá, João Pessoa e Natal os institutos apontaram cenários diferentes dos resultados das urnas. Em São Paulo, por exemplo, as pesquisas indicavam um empate técnico, e nas urnas, Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) passaram ao segundo turno com percentuais muito próximos aos projetados.
Marcelo Noronha, diretor da Neokemp Pesquisas, defende que a pesquisa é um instrumento estatístico que funciona quando feita corretamente. Ele ressalta que a crítica surge quando a pesquisa não capta os movimentos do eleitorado, mas que a metodologia adequada tende a acertar. A publicidade nos grandes veículos de comunicação também é vista como um fator que ajuda a validar os resultados, ao contrário do que ocorre na internet, que é considerada uma “terra de ninguém”.
Pesquisas como Ferramentas Estratégicas e o Peso da Judicialização
Apesar de serem frequentemente criticados, os políticos dependem das pesquisas eleitorais para definir estratégias, formar coligações e testar a viabilidade de candidaturas. Murilo Hidalgo, diretor-executivo do Paraná Pesquisas, afirma que “as campanhas não vivem sem pesquisas” e que um pré-candidato com resultados fracos dificilmente se concretiza como candidato.
As pesquisas internas, contratadas pelos próprios partidos, são usadas para moldar as estratégias antes das convenções partidárias. Os cenários apresentados aos entrevistados em pesquisas públicas também são cruciais para entender as preferências e rejeições em relação a potenciais adversários.
A judicialização das pesquisas eleitorais, no entanto, representa um desafio. Em Curitiba, por exemplo, na véspera do primeiro turno das eleições municipais de 2024, a divulgação de pesquisas foi limitada e passou pela Justiça Eleitoral. Guerras de pedidos de suspensão tornaram-se comuns, criando um cenário de incerteza para eleitores e candidatos.
Advogados de campanhas frequentemente buscam detalhes nas amostras para tentar inviabilizar a divulgação de pesquisas. “Como a estatística é uma ciência que calcula proporcionalidade, existem corpos jurídicos que vão nos detalhes e tentam impugnar”, explica Noronha. Por isso, os institutos se esforçam para seguir o plano amostral o mais próximo possível da realidade.
O Papel da Gazeta do Povo e a Importância da Transparência
A Gazeta do Povo, por exemplo, publica pesquisas eleitorais há anos, buscando oferecer ao leitor uma leitura de momento baseada em amostras representativas. A publicação detalha a metodologia utilizada, incluindo métodos de entrevista, composição e número da amostra, além da formulação das perguntas, fatores que podem influenciar nos resultados.
A publicação enfatiza que as pesquisas eleitorais não são previsões exatas, mas sim ferramentas de informação que podem influenciar partidos, lideranças políticas e até mesmo o mercado financeiro. A transparência na divulgação da metodologia é vista como essencial para que o eleitor possa avaliar criticamente os dados apresentados.















