Polícia pede internação de adolescente e indiciamento de adultos em caso de crueldade com cães em Florianópolis
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão Orelha e pediu a internação de um adolescente apontado como autor do crime. Paralelamente, três adultos foram indiciados por coação de testemunhas no mesmo caso. A apuração também envolve denúncias de maus-tratos contra outro cachorro, o Caramelo, ambos em Florianópolis.
O pedido de internação do adolescente, medida que equivale à prisão para menores, foi encaminhado ao Ministério Público devido à gravidade dos fatos. A polícia ouviu oito menores suspeitos e 24 testemunhas, reunindo provas técnicas e materiais que apontam para a autoria do crime.
A identificação do autor foi possível após a análise de mais de mil horas de imagens de segurança, que registraram a movimentação na região da Praia Brava. Vídeos, depoimentos e a roupa utilizada no dia do crime foram cruciais para vincular o adolescente ao ocorrido, conforme informado pela polícia.
Adolescente viajou para os EUA e foi interceptado no aeroporto
Segundo o delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, o adolescente negou sua presença no local do crime, alegando ter ficado em um condomínio. No entanto, imagens de câmeras de segurança e testemunhas desmentiram essa versão, confirmando que ele estava na praia.
A polícia revelou que o adolescente viajou para os Estados Unidos no mesmo dia em que os suspeitos foram identificados. Ele permaneceu fora do país até 29 de janeiro, quando foi detido pela polícia no aeroporto ao retornar ao Brasil. Um familiar tentou esconder a roupa utilizada no crime, mas o adolescente admitiu que a peça já era de sua posse antes da viagem.
A delegada Mardjoli Valcareggi destacou o comportamento suspeito de um familiar durante a revista da mala, que tentou justificar a posse do moletom como uma compra recente nos Estados Unidos. A polícia também divulgou uma cronologia detalhada do dia do crime, apontando contradições no depoimento do suspeito.
Provas e depoimentos incriminam o adolescente
Imagens captadas por câmeras de segurança mostram o adolescente saindo do condomínio às 5h25 da manhã e retornando às 5h58, acompanhado de uma amiga. Essa informação contradiz a versão inicial apresentada por ele. A polícia evitou divulgar detalhes durante a apuração para não comprometer a investigação.
A delegada Valcareggi ressaltou que a viagem do adolescente ao exterior representava um risco de fuga ou de descarte de provas importantes, como a roupa usada e o celular. O inquérito seguiu os trâmites do Estatuto da Criança e do Adolescente e foi finalizado após o depoimento do investigado.
Maus-tratos a outro cão também investigados
Além da morte de Orelha, a Polícia Civil atribuiu a um grupo de adolescentes maus-tratos ao cão Caramelo. Os jovens teriam tentado afogar o animal no mar, mas ele conseguiu escapar e foi resgatado. Posteriormente, Caramelo foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
A defesa do adolescente, representada pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, contestou o resultado da investigação, classificando as apurações como “frágeis e inconsistentes” e reiterando a inocência do jovem. Os advogados também protestaram contra a falta de acesso integral aos autos do inquérito e acusaram uma “politização do caso”.















