CALDAS NOVAS (GO) – O mistério que envolvia o desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, ocorrido em dezembro de 2025, chegou a um desfecho trágico nesta quarta-feira (28). A Polícia Civil de Goiás confirmou que o síndico do prédio onde a vítima morava, Cléber Rosa de Oliveira, foi o autor do crime. Segundo as investigações, ele teria desligado a energia do apartamento da corretora para atraí-la até o subsolo, onde a executou e, posteriormente, utilizou as escadas de emergência para retirar o corpo sem ser filmado.
O caso, que começou como uma disputa condominial, escalou para um homicídio planejado, envolvendo perseguição, sabotagem e obstrução de justiça.


O Histórico de Conflitos (2024 – 2025)
A relação entre Daiane e Cléber era marcada por tensões antigas. A gênese do conflito remonta a novembro de 2024, quando desentendimentos sobre a gestão de imóveis no condomínio deram início a uma série de perseguições. Daiane administrava unidades no prédio e, segundo a promotoria, teria alugado um apartamento para um número de hóspedes superior ao permitido, o que teria sido o estopim para a hostilidade do síndico.
Entre fevereiro e outubro de 2025, a situação se agravou. Cléber é acusado de sabotar sistematicamente o trabalho e a vida de Daiane: cortava o fornecimento de água, gás, internet e energia dos apartamentos geridos por ela e vigiava seus passos pelas câmeras de segurança. A animosidade chegou às vias de fato em fevereiro de 2025, quando Cléber agrediu a corretora com uma cotovelada, gerando um processo por lesão corporal. Ao todo, havia 12 processos judiciais tramitando entre as partes.
O Dia do Crime: 17 de Dezembro de 2025
A cronologia do dia fatídico revela o planejamento do crime. Incomodada com mais uma queda de luz em seu apartamento, Daiane decidiu descer para verificar os relógios de energia.
- A Descida: Imagens de segurança mostram Daiane no elevador, onde encontrou um vizinho. Ambos conversaram sobre a falta de luz e desceram até o 2º subsolo.
- O “Ponto Cego”: Há um corte de dois minutos nas filmagens. Quando o sistema volta a registrar imagens, Daiane aparece sozinha, retornando ao elevador e subindo para o 1º subsolo. Ao sair neste andar, ela olha para a câmera de segurança. Foi a última vez que foi vista com vida.
- A Emboscada: Segundo a polícia, Cléber desligou a energia propositalmente para forçar a descida da vítima. Ele a abordou no subsolo enquanto ela tentava filmar os relógios de força.
- A Execução (Janela de 8 Minutos): A polícia estima que o crime ocorreu num intervalo curtíssimo. Daiane desaparece das imagens às 19h00. Às 19h08, as câmeras registram apenas outra moradora passando.
- A Fuga: Para não deixar rastros, Cléber não usou os elevadores. Conhecedor dos “pontos cegos” do sistema de monitoramento — que possuía apenas dez câmeras —, ele utilizou as escadas de emergência, que não eram monitoradas, para transportar o corpo de Daiane para fora do prédio.


Investigação e Prisão (Janeiro de 2026)
Inicialmente tratado como desaparecimento, o caso passou a ser investigado como homicídio pela Delegacia de Homicídios de Goiás.
Durante as investigações, descobriu-se que o filho de Cléber atuou ativamente na tentativa de encobrir o crime, auxiliando na obstrução de provas, incluindo a substituição de aparelhos celulares.
O desfecho ocorreu na madrugada desta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, quando o corpo de Daiane foi encontrado em uma área de mata na região de Caldas Novas. De acordo com as autoridades, o próprio síndico, após ser confrontado, colaborou e indicou o local da desova.
Cléber Rosa de Oliveira e seu filho foram presos temporariamente. O síndico responderá pelo homicídio e ocultação de cadáver, enquanto o filho poderá responder por obstrução de justiça e coparticipação nos crimes correlatos. A defesa do síndico alega que ele sempre colaborou com as autoridades e nega as acusações, enquanto a defesa da vítima sustenta que Daiane agia em legítima defesa de terceiros e sofria perseguição contínua.






