Gonet se manifesta contra proibição a cotas raciais em universidades de SC
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deu um parecer favorável à suspensão de uma lei estadual de Santa Catarina que proíbe a instituição de cotas raciais em universidades estaduais e privadas que recebam recursos do estado. A manifestação ocorreu em ações diretas de inconstitucionalidade que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
A lei em questão, proposta pelo deputado estadual Alex Brasil (PL-SC), foi alvo de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) protocoladas pelo PSOL, juntamente com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a organização Educafro. Gonet, em seu parecer desta quinta-feira (29), sinaliza a necessidade de análise aprofundada antes de qualquer decisão definitiva sobre o tema.
O posicionamento do procurador-geral reforça a importância de avaliar os impactos das ações afirmativas. O STF, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, continua analisando o caso, que já havia sido suspenso pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Conforme informação divulgada pelo STF, Gonet pede a exclusão da UNE e da Educafro do processo, por considerar que apenas o PSOL possui legitimidade para atuar na ação.
Lei em Santa Catarina proíbe cotas raciais e gera debate nacional
A lei estadual de Santa Catarina, que proíbe a adoção de cotas raciais em instituições de ensino superior, tem gerado intensos debates. Diferentemente das cotas raciais, a legislação mantém inalteradas as reservas para pessoas com deficiência, de baixa renda e estudantes da rede pública. Para aqueles que insistem em critérios raciais, a norma prevê multas de até R$ 100 mil e a suspensão de repasses estaduais.
A Procuradoria-Geral do Estado de Santa Catarina defende que a nova norma busca garantir o princípio da igualdade, sem violar a Constituição. Argumentam que a Carta Magna não obriga as instituições a implementarem tais cotas. Em contrapartida, os proponentes das ações judiciais sustentam que a lei viola o princípio da igualdade e o dever do Estado em combater o racismo.
Gonet cita precedentes do STF para justificar suspensão da lei
Em seu parecer, Paulo Gonet fundamenta seu pedido de suspensão citando decisões anteriores da Corte. Ele destaca que o STF tem vedado “o fim da vigência da ação afirmativa sem que haja avaliação dos efeitos, das consequências da sua descontinuidade e dos resultados alcançados”. Essa linha de argumentação sugere que a proibição das cotas raciais pode ter consequências irreversíveis.
O procurador-geral argumenta que a suspensão da lei é necessária até que o julgamento seja concluído. A aplicação imediata da proibição poderia afetar processos seletivos em andamento ou que se iniciam no próximo ano acadêmico, gerando efeitos jurídicos de difícil reversão. A decisão final do STF terá grande impacto nas políticas de diversidade em Santa Catarina.
Controvérsias sobre o princípio da igualdade e a impessoalidade
Ao apresentar o texto na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o deputado Alex Brasil justificou a proposta argumentando que cotas baseadas em critérios raciais podem colidir com os princípios da isonomia e da impessoalidade. Segundo ele, essas distinções não refletem necessariamente situações de desvantagem, gerando controvérsias jurídicas.
Os defensores das cotas raciais, por outro lado, veem nessas ações um instrumento fundamental para promover a igualdade e reparar desigualdades históricas. A discussão no STF abrange a interpretação de princípios constitucionais e a efetividade das políticas de ação afirmativa no país.
PSOL, UNE e Educafro buscam reverter proibição de cotas raciais
O PSOL, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educafro são as entidades que moveram as ações no STF contra a lei catarinense. A atuação dessas organizações é crucial para defender a manutenção das cotas raciais como ferramenta de inclusão e combate ao racismo estrutural.
A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre este caso terá repercussões significativas, não apenas para Santa Catarina, mas para todo o Brasil, influenciando o futuro das políticas de diversidade e inclusão no ensino superior público e privado.






