Fiesc projeta 41,4 mil empregos a menos com redução da jornada de trabalho em SC
Um estudo recente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) lança um alerta sobre as possíveis consequências da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem a correspondente diminuição salarial. A análise indica que essa mudança pode levar à extinção de aproximadamente 41,4 mil postos de trabalho no estado em um período de dois anos.
Os dados, que foram apresentados a deputados e senadores do Fórum Parlamentar Catarinense, sugerem um cenário de instabilidade econômica e produtiva. A Fiesc argumenta que a medida, embora possa parecer benéfica à primeira vista, carrega consigo riscos significativos para o mercado de trabalho e a economia como um todo.
A entidade destaca que a discussão sobre a jornada de trabalho precisa ser feita com cautela, considerando a complexidade e a relevância das implicações. O estudo detalha os setores que seriam mais afetados e os impactos macroeconômicos esperados com a implementação da proposta, conforme informação divulgada pela Fiesc.
Indústria catarinense em risco: aumento de custos e perda de competitividade
O setor industrial de Santa Catarina seria um dos mais atingidos, com uma projeção de 19,1 mil demissões. Isso se deve a um esperado aumento de 9,7% nos custos da mão de obra. O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, enfatizou a necessidade de uma discussão aprofundada, alertando que a redução da jornada, sem um aumento proporcional na produtividade, pode comprometer a competitividade da indústria catarinense no cenário internacional.
Setores que são intensivos em mão de obra e sensíveis a variações de preço, tanto no mercado interno quanto externo, seriam os mais impactados. A perda de competitividade pode levar a uma redução na atividade econômica geral do estado, afetando a capacidade de exportação e a geração de empregos.
Impacto nas exportações e na economia regional
A Fiesc estima uma queda de 1,07% nas exportações catarinenses como resultado direto da redução da jornada de trabalho. Segmentos como carne de aves (-3,3%), carne suína (-3,1%), madeira bruta (-2,6%) e produtos derivados de madeira (-2,4%) estariam entre os mais prejudicados. Esses setores, que empregam muitos trabalhadores e exportam grande parte de sua produção, enfrentam forte concorrência global.
No âmbito macroeconômico, o estudo prevê um recuo de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina no biênio após a implementação da medida. Para o PIB industrial, a retração esperada é ainda maior, chegando a 1,15%. A região oeste do estado, em particular, apresentaria a maior queda em sua atividade econômica, com um declínio projetado de 1,39%.
Deputados e economistas debatem a proposta
O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos (PSD), manifestou preocupação, classificando a proposta como potencialmente prejudicial e eleitoreira. Ele acredita que a flexibilização da jornada é necessária, mas não da forma como o debate sobre o fim da escala 6×1 tem sido conduzido.
O economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, ressaltou o aumento da participação de produtos importados no mercado brasileiro, que passou de 13,4% em 2003 para 25% em 2023. Ele alertou que, sem um aumento na produtividade, a redução da jornada pode levar a uma menor produção e preços mais altos, **ampliando a perda de competitividade do produto brasileiro**.
Aumento de preços e risco de automação
O estudo da Fiesc também aponta para um possível aumento no custo de vida, com uma elevação média de preços estimada em 2,64% em Santa Catarina. Os setores mais afetados por essa alta seriam a construção civil (4,26%), alimentos (3,6%) e vestuário (3,57%).
Adicionalmente, a mudança na escala de trabalho, como o fim da escala 6×1, pode acelerar o processo de automação na indústria. O aumento dos custos laborais, decorrente da redução da jornada sem aumento de produtividade, seria um forte incentivo para que as empresas invistam em tecnologia e máquinas para substituir a mão de obra, o que poderia intensificar ainda mais as demissões.















