Santa Catarina inaugura áreas de escape inéditas para aumentar segurança na Serra Dona Francisca.
A Serra Dona Francisca, um dos trechos mais desafiadores das rodovias catarinenses, está recebendo as primeiras áreas de escape do estado. Este dispositivo de segurança, projetado para evitar acidentes graves com veículos que perdem o controle dos freios em descidas, representa um marco para a segurança viária em Santa Catarina.
Com um investimento de R$ 40 milhões, as obras avançam para consolidar um sistema de proteção essencial em uma região marcada por sua geografia acidentada e histórico de tragédias. A expectativa é que as novas estruturas reduzam drasticamente o número de acidentes severos, trazendo mais tranquilidade para quem trafega pela SC-418.
O governo catarinense aposta nesta tecnologia, já comprovada em outras serras do país, como uma solução eficaz para um problema antigo. A implantação das áreas de escape na Serra Dona Francisca é vista como um passo fundamental para a preservação de vidas e a melhoria do fluxo de cargas e passageiros na região, conforme informações divulgadas pelo governo do estado.
O que são e como funcionam as áreas de escape
As áreas de escape são estruturas de segurança projetadas para interceptar veículos, especialmente caminhões, que sofrem com a falha dos freios em descidas prolongadas. Elas consistem em uma pista de acesso que direciona o veículo para um leito de desaceleração. Este leito é preenchido com material granular de alta resistência, como brita, que absorve a energia cinética do veículo, reduzindo sua velocidade de forma progressiva até a parada total.
Essas estruturas são equipadas com sistemas de drenagem eficientes, garantindo seu funcionamento mesmo sob chuva intensa. Ao final do leito, uma área de estabilização proporciona a parada segura do veículo. As áreas de escape na SC-418 seguem padrões técnicos rigorosos, adaptados para o tráfego intenso de cargas.
O ponto crítico da SC-418 e a tragédia de 2015
A implantação das áreas de escape ocorre entre os quilômetros 15 e 17 da SC-418, um trecho conhecido por suas curvas fechadas e declives acentuados. Este local foi palco de uma das maiores tragédias rodoviárias do estado em março de 2015, quando um ônibus de excursão religiosa despencou de uma ribanceira, resultando na morte de 51 pessoas. A perícia indicou que o veículo trafegava a 90 km/h em um limite de 30 km/h, com falha no sistema de freios por superaquecimento.
Este incidente, infelizmente, não foi isolado. A Serra Dona Francisca tem um histórico recorrente de acidentes, muitos envolvendo veículos pesados devido ao intenso tráfego de caminhões na rota que liga Joinville ao Planalto Norte catarinense. Dados recentes da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) reforçam a criticidade do trecho, registrando 59 acidentes entre os kms 10 e 18 no último ano, com 56 feridos e uma morte.
42% dos sinistros envolveram veículos pesados, com 22 acidentes registrados com caminhões e três com ônibus, segundo a PMRv. A curva do km 16,700 é apontada como o ponto de maior concentração de ocorrências graves. A fiscalização com radares móveis é constante, mas as áreas de escape são vistas como uma camada adicional e crucial de segurança.
Expansão da segurança e perspectivas do setor de transportes
Além das duas estruturas na Serra Dona Francisca, com previsão de conclusão em junho, a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade planeja implantar uma nova área de escape na SC-480, em Chapecó, em parceria com a prefeitura local. O setor de transportes vê o avanço com otimismo, mas alerta para a necessidade de ações complementares.
Dagnor Schneider, presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina), destaca que as áreas de escape são uma solução relevante para a preservação de vidas, mas não substituem investimentos contínuos em infraestrutura, fiscalização e capacitação de motoristas. A experiência em outras rodovias, como a BR-277 no Paraná, onde áreas de escape já foram acessadas dezenas de vezes, reforça a eficácia do equipamento.
No Paraná, uma área de escape foi acessada 32 vezes desde março de 2024, potencialmente salvando 107 vidas, segundo a concessionária responsável. A principal causa relatada para o uso foi falha nos freios. A exemplo da estrutura catarinense, estas áreas são projetadas para conter veículos pesados e suas cargas valiosas, como grãos e combustíveis, demonstrando seu papel vital na segurança rodoviária.















