Nomeação de petista para Superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná gera descontentamento entre servidores
Servidores federais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná expressaram preocupação com a recente nomeação de Almir Antonio Gnoatto para comandar a Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária no estado (SFA-PR). A portaria n° 2.010, publicada no Diário Oficial da União, oficializou a escolha de Gnoatto, um engenheiro agrônomo e professor da UTFPR, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT).
A escolha de um profissional externo aos quadros regionais para um cargo de tamanha responsabilidade tem sido alvo de críticas. As entidades representativas dos servidores alertam que a SFA-PR opera em um ambiente altamente regulado, onde decisões administrativas afetam diretamente a economia estadual, especialmente no Paraná, um dos pilares do agronegócio brasileiro. A necessidade de uma gestão alinhada à expertise técnica e à rotina operacional do Mapa é apontada como crucial.
“A tomada de decisão pelo gestor da superintendência está muito associada a esse conhecimento técnico, por isso a preocupação acaba sendo muito grande, principalmente no estado do Paraná, onde o agronegócio é um dos pilares da economia”, afirma Alexandre Bastos, delegado sindical no Paraná do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários. Conforme informação divulgada pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários, a nomeação de Gnoatto levanta questionamentos sobre a continuidade de uma gestão focada na expertise técnica.
Gestão técnica consolidada por mais de 20 anos é o foco da preocupação
Por mais de duas décadas, a superintendência do Mapa no Paraná tem sido liderada por servidores de carreira. Essa continuidade permitiu a consolidação de um ambiente institucional marcado pela previsibilidade regulatória e pelo fortalecimento da relação de confiança com o setor produtivo agropecuário. As entidades representativas, como a Delegacia Sindical da Associação Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários no Paraná (Anffasindical) e a Associação dos Técnicos de Fiscalização Federal Agropecuária do Paraná (Ateffa-PR), defendem a manutenção dessa linha de gestão.
Segundo os representantes dos servidores, a atuação de gestores com experiência de carreira contribuiu para avanços relevantes em áreas estratégicas, como a defesa agropecuária. Este setor, que envolve vigilância, inspeção e controle de saúde animal e sanidade vegetal, depende diretamente da experiência e qualificação técnica de seus dirigentes. A preocupação reside na possibilidade de que a nova gestão possa descontinuar práticas e conhecimentos consolidados.
Servidores de carreira como garantia de expertise e continuidade
As associações ressaltam que a liderança técnica tem sido fundamental para o fortalecimento da defesa agropecuária no Paraná. Trata-se de uma área sensível que exige conhecimento especializado, domínio de processos complexos e experiência acumulada. Os servidores atuam permanentemente na fiscalização, vigilância sanitária, inspeção e controle, garantindo a segurança alimentar e a qualidade dos insumos agropecuários.
A avaliação das entidades é que o próprio Ministério da Agricultura dispõe de profissionais de carreira plenamente qualificados para assumir a superintendência. Para eles, o comando de um servidor da pasta é essencial para a continuidade das políticas públicas, a coerência administrativa e a preservação do padrão técnico construído ao longo dos anos. A falta de retorno de Gnoatto e do Mapa aos questionamentos da imprensa, até o momento da publicação desta matéria, acentua o clima de incerteza entre os servidores.
Impacto econômico e a importância da gestão técnica no agronegócio paranaense
O Paraná se destaca como um dos principais polos do agronegócio brasileiro, e a SFA-PR desempenha um papel vital na manutenção da sanidade, qualidade e segurança dos produtos agropecuários. A atuação da superintendência impacta diretamente a economia estadual, influenciando desde a produção primária até a exportação. A expertise técnica é vista como um diferencial para garantir a competitividade e a sustentabilidade do setor.
A nomeação de um gestor sem a experiência direta nas ações de defesa agropecuária levanta temores sobre a eficiência e a eficácia das futuras decisões. A continuidade de uma gestão com profundo conhecimento técnico é vista como um fator determinante para manter a confiança do setor produtivo e assegurar que as políticas públicas agrícolas no Paraná continuem alinhadas às necessidades e desafios do mercado.














