Sul do Brasil: O Epicentro da Revolução da Longevidade e Seus Impactos Econômicos Transformadores
O Brasil está passando por uma profunda transformação demográfica, com o envelhecimento da população em ritmo acelerado. Essa mudança redefine o perfil do consumidor e abre um vasto leque de oportunidades para a chamada “economia prateada” ou de longevidade. Este segmento, que movimenta trilhões de reais anualmente, encontra no Sul do país um verdadeiro laboratório de inovação e sucesso.
Projeções do Ipea indicam que a população com mais de 65 anos, hoje 10%, pode chegar a quase 30% em 2100. Em contrapartida, o número de jovens diminui. Essa realidade exige uma adaptação de mercado, e o Sul do Brasil, com sua alta concentração de idosos, já demonstra como isso pode ser feito com sucesso.
A “economia prateada” abrange saúde, bem-estar, tecnologia assistida, moradia, turismo, consumo e inclusão social. No Brasil, esse mercado já movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano, segundo o Instituto Locomotiva. O Sul, pioneiro nesse cenário, oferece lições valiosas sobre como aproveitar essa oportunidade, conforme dados e análises divulgados por fontes como o IBGE e o Sebrae-PR.
O protagonismo do Sul no envelhecimento populacional
O Sul do Brasil se destaca nacionalmente pelo avanço da longevidade. O Rio Grande do Sul lidera o ranking, com 20,15% de sua população acima dos 60 anos, totalizando mais de 2 milhões de pessoas. Projeções indicam que esse percentual atingirá 21,8% em 2026, segundo a Pnad Contínua do IBGE.
O Paraná segue a mesma tendência, com projeções do Ipardes indicando que a população idosa saltará de 2,08 milhões em 2025 para 3,69 milhões em 2050, elevando sua participação no total de 17,56% para 29,81%. Santa Catarina também apresenta crescimento expressivo, com 1,25 milhão de idosos, representando 15,6% da população, e expectativa de chegar a 20% até 2034.
Idosos no mercado de trabalho: uma realidade crescente no Sul
Longe de se aposentarem completamente da vida produtiva, os idosos no Sul do Brasil demonstram uma forte presença no mercado de trabalho. Dados do IBGE revelam que 24,4% dos brasileiros com mais de 60 anos estavam ocupados em 2024, e a atividade persiste mesmo após os 70 anos.
No Paraná, o número de idosos com trabalho formal ou informal cresceu 63% nos últimos 12 anos, alcançando cerca de 490 mil pessoas em 2024, o que representa 8% da força de trabalho do estado. Santa Catarina registrou 338.800 idosos no mercado, respondendo por 7,7% da força laboral. Já o Rio Grande do Sul conta com 590 mil trabalhadores com 60 anos ou mais, perfazendo 9,83% do total de empregados gaúchos.
O poder de compra e as novas prioridades de consumo dos idosos
O comportamento de consumo da população idosa está em transformação. Uma pesquisa do SPC aponta que 41% dos idosos gastam mais com produtos de desejo do que com itens essenciais, e para 66%, aproveitar a vida é a principal prioridade. O turismo é um dos setores mais beneficiados, com brasileiros acima de 50 anos viajando, em média, duas a três vezes por ano, segundo a Abav.
Um estudo do Data8 estima que o público com mais de 50 anos movimentará R$ 3,8 trilhões no Brasil nos próximos anos, representando 24% do consumo privado total em 2024. No Paraná, cerca de 13% dos empreendedores têm mais de 60 anos, liderando mais de 200 mil negócios, o que demonstra a força econômica e empreendedora desse grupo.
Turismo social e eventos impulsionam a economia da longevidade
O turismo social é um exemplo prático de como a “economia prateada” se organiza. No Sesc-SC, roteiros voltados para idosos são populares, com o público apreciando viajar em grupo para compartilhar experiências. O Rio Grande do Sul sedia a “Geronto Fair” em Gramado, um evento referência nacional que reúne negócios, políticas públicas e inovações voltadas ao envelhecimento ativo.
Iniciativas como a cooperativa “Olhares de Hamburgo”, onde mulheres acima de 60 anos criam bolsas e acessórios com couro reaproveitado, mostram o potencial criativo e de empreendedorismo. No Paraná, políticas públicas das secretarias de Turismo e da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa visam ampliar o acesso da população idosa ao turismo estadual, promovendo bem-estar social, cultural, psicológico e físico por meio de viagens subsidiadas, conforme informações divulgadas pelas próprias secretarias.















