Ilha do Campeche Adota Tecnologia de Ponta para Combater Excesso de Turistas e Garantir Preservação
A Ilha do Campeche, um dos destinos mais cobiçados de Florianópolis, conhecida por suas belezas naturais que remetem ao Caribe, está implementando um sistema de videomonitoramento avançado para controlar o fluxo turístico. A iniciativa, resultado de um esforço conjunto entre diversos órgãos e a Justiça Federal, visa equilibrar a exploração turística com a preservação de seu valioso patrimônio arqueológico e paisagístico.
Os resultados preliminares da temporada de verão já demonstram a eficácia do novo modelo de gestão. A meta de limitar o acesso a 800 visitantes por dia tem sido amplamente respeitada, um avanço significativo em comparação com anos anteriores, quando o limite era frequentemente ultrapassado, chegando a quase o dobro de pessoas em um único dia.
Essa mudança é um marco na história da ilha, que busca um modelo sustentável para receber visitantes sem comprometer sua integridade. Conforme informações apresentadas pela Justiça Federal de Santa Catarina, o sucesso no controle de visitantes é fruto de um trabalho coletivo que se constrói há quase dois anos, conforme dito pelo juiz coordenador do Cejuscon, Leonardo Müller Trainini.
Tecnologia de Inteligência Artificial no Controle de Acesso
O sistema de videomonitoramento via satélite é a espinha dorsal da nova gestão. Câmeras de alta definição, aliadas à inteligência artificial, realizam a contagem de passageiros e o reconhecimento facial ainda nas embarcações. Isso permite uma identificação precisa e a prevenção do desembarque de pessoas em excesso antes mesmo que cheguem à praia, garantindo o cumprimento do limite diário.
Gestão Compartilhada e o Futuro da Ilha do Campeche
A gestão da Ilha do Campeche, que se tornou Unidade de Conservação em 2025 com a criação do Monumento Natural Municipal (Mona), agora é compartilhada entre a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Floram, e conta com a participação ativa da Justiça Federal, Ministério Público Federal (MPF), Iphan, Marinha do Brasil e associações de barqueiros. Este modelo é um desdobramento de uma ação civil pública movida pelo MPF em 2022 para conter danos ao patrimônio.
O grupo de trabalho segue focado em definir o fluxo de repasse de recursos para o fundo de conservação da ilha e em regular as chamadas “visitas panorâmicas”. Paralelamente, pesquisadores da UFSC e da Floram iniciaram o monitoramento da saúde da população de quatis, visando o planejamento de controle reprodutivo da espécie, demonstrando um compromisso abrangente com a preservação ambiental.
Resultados Concretos na Temporada de Verão
Os dados da temporada de verão de Florianópolis confirmam a eficácia do novo sistema. Até o dia 11 de janeiro, foram registrados apenas quatro dias com público acima do permitido, com um pico de 852 visitantes. No mesmo período da temporada anterior, o limite foi extrapolado em 10 dias, chegando a um alarmante registro de 1.883 pessoas em uma única data, o que evidencia a redução drástica da superlotação.
Um Esforço Coletivo para a Preservação
O juiz coordenador do Cejuscon-SC, Leonardo Müller Trainini, destacou que o sucesso no controle de visitantes da Ilha do Campeche se deve ao esforço conjunto de todos os órgãos e representantes envolvidos. Ele ressaltou que este é um trabalho verdadeiramente coletivo e que vem sendo construído há quase dois anos, demonstrando a importância da colaboração para a proteção de bens naturais e culturais.















