Exportações de Santa Catarina recuam no início de 2026, mas agronegócio mantém saldo positivo
As vendas externas de Santa Catarina apresentaram um recuo de 4,1% nos dois primeiros meses de 2026, totalizando US$ 1,697 bilhão, frente aos US$ 1,770 bilhão registrados no mesmo período de 2025. A queda, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), reflete mudanças significativas nos principais destinos comerciais do estado, com destaque para a performance do mercado norte-americano.
A retração de 38,1% nas vendas para os Estados Unidos, que somaram US$ 148 milhões, levou o país à segunda posição no ranking de importadores. A China, por sua vez, assumiu a liderança, apesar de uma baixa de 8,3%, totalizando US$ 151 milhões em compras. Essa inversão é vista pela Fiesc como uma consequência direta do aumento tarifário anunciado pelo governo Trump em 2025, com expectativas de recuperação após a derrubada da cobrança pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro.
O cenário de exportações de Santa Catarina em 2026 contrasta com o desempenho histórico de 2025, quando o estado alcançou seu recorde com US$ 12,19 bilhões em vendas externas, impulsionado fortemente pelo agronegócio. O setor, que teve a carne de frango como carro-chefe, faturando US$ 2,44 bilhões no ano passado, continua sendo um pilar fundamental para a balança comercial positiva catarinense, mesmo diante das recentes quedas gerais.
Agronegócio como Motor: Carne de Aves em Alta
Dentro dos cinco principais itens da pauta exportadora de Santa Catarina, a carne de aves se destaca com um crescimento de 13%, gerando um faturamento de US$ 426,6 milhões nos primeiros meses de 2026. Este desempenho positivo do setor de agronegócio contrasta com as quedas registradas em outros produtos de peso na pauta.
Itens como motores elétricos (-3,9%) e madeira serrada (-2,4%) apresentaram retrações nas vendas externas. O resultado geral das exportações só não foi mais desfavorável devido ao bom desempenho de setores intermediários, como transformadores elétricos (+44,6%), preparações de conservas de carnes (+30,7%) e papel Kraft (+21,7%), que ajudaram a mitigar a queda.
Mudanças no Mapa Comercial e Queda nas Importações
Além da ascensão da China e da queda dos EUA, o ranking de destinos comerciais de Santa Catarina também viu outras movimentações. O Japão subiu para a terceira posição, com um expressivo crescimento de 22,9% (US$ 131 milhões), superando a Argentina, que recuou 24,3% e caiu para o quarto lugar. O México, com avanço de 24%, consolidou-se na quinta posição, ultrapassando o Chile.
No âmbito das importações, Santa Catarina também registrou uma queda de 5,2% nos dois primeiros meses de 2026, totalizando US$ 5,7 bilhões. Houve variações significativas em itens específicos, como a queda de 47,1% na importação de semicondutores, contrastando com o aumento expressivo de 117,5% na importação de veículos e de 62,9% em alumínio em formas brutas.





















