Santa Catarina: Um Legado Conservador Construído por Gerações de Políticos e Fatores Socioeconômicos
Santa Catarina é amplamente reconhecida como um dos estados mais conservadores do Brasil. Essa marca é resultado de uma combinação complexa de fatores, incluindo o peso eleitoral de pautas tradicionais, forte votação em candidatos da direita e a consolidação de lideranças alinhadas a valores como família, segurança pública e economia liberal.
Esse perfil não surgiu de uma única eleição ou grupo político, mas sim de um processo histórico impulsionado por características sociais, culturais e econômicas únicas do estado. Diferentes gerações de políticos contribuíram para essa construção ao longo do tempo.
A força econômica de Santa Catarina, aliada a valores culturais específicos, moldou uma percepção de autonomia e eficiência administrativa. Essa narrativa, segundo o analista político Daniel Pinheiro, da Udesc, dialoga com a resistência a políticas redistributivas e se fortalece com a herança cultural da imigração europeia e a religiosidade.
Conforme análise do professor de Ciência Política do Ibmec-BH, Adriano Cerqueira, o conservadorismo catarinense não é um fenômeno recente. Historicamente, o estado oferece pouco espaço institucional para a consolidação de partidos de esquerda, especialmente em disputas majoritárias. A forte presença de classe média e menor dependência de programas federais de transferência de renda favorecem discursos mais liberais na economia.
Um fator adicional é o forte antipetismo em Santa Catarina, que se desenvolveu a partir da avaliação dos governos federais do PT, mesmo sem uma experiência estadual traumática com a esquerda. O estado ganhou uma dimensão simbólica nacional, tornando-se um “farol para o eleitorado conservador brasileiro”, com políticos projetando-se nacionalmente por meio de discursos contundentes em defesa de valores conservadores.
A influência política de Santa Catarina, segundo Cerqueira, supera o tamanho de seu eleitorado, com lideranças acumulando grande presença nas redes sociais e visibilidade no Congresso, tornando-se referências no campo liberal-conservador.
A Construção Histórica do Conservadorismo em Santa Catarina
Antes de se tornar um reduto de votos para Jair Bolsonaro, Santa Catarina já era governada por lideranças com perfil institucionalmente conservador. A Gazeta do Povo elencou nomes que participaram dessa construção desde a redemocratização.
Jorge Bornhausen, filho do ex-governador Irineu Bornhausen, teve papel central. Ele governou o estado durante a ditadura militar e, após a redemocratização, foi ministro da Educação e um dos fundadores do PFL, consolidando-se como liderança da centro-direita. Bornhausen também apoiou Fernando Collor e liderou a “oposição responsável” ao governo Lula como presidente nacional do PFL.
Esperidião Amin, figura proeminente desde os anos 1970, construiu uma das trajetórias mais longevas. Foi prefeito de Florianópolis, deputado federal, senador e governador em dois mandatos. Amin disputou a presidência da República em 1994 e, mais recentemente, votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e elegeu-se senador, integrando a base do governo Bolsonaro.
Luiz Henrique da Silveira, governador por dois mandatos, foi um político influente com uma carreira diversificada, incluindo passagens como deputado estadual, federal, prefeito de Joinville e ministro. Embora não fosse um conservador ideológico no molde atual, ele contribuiu para estruturar uma cultura política de estabilidade e protagonismo regional, mantendo a centro-direita dominante.
Novas Gerações e a Consolidação da Direita em SC
Raimundo Colombo, governador entre 2011 e 2018, enfatizava responsabilidade fiscal e eficiência administrativa. Sua gestão consolidou a imagem de estabilidade institucional e manteve o estado sob controle de forças de centro-direita.
A eleição de Carlos Moisés da Silva em 2018, pelo PSL, marcou um ponto de virada, impulsionado pela força de Jair Bolsonaro. Sem carreira política prévia, foi eleito governador com ampla vantagem. Sua gestão, contudo, foi marcada por rompimentos e processos de impeachment, dos quais foi absolvido.
No cenário mais recente, a combinação de valores econômicos liberais e conservadorismo nos costumes ganhou rostos e estratégias políticas bem definidas. O atual governador, Jorginho Mello (PL), é considerado o principal articulador desse campo. Com vasta experiência política, Mello tornou-se uma referência da direita no estado, com discurso voltado ao empreendedorismo e à autonomia econômica.
No Congresso Nacional, Caroline de Toni (PL) se destaca como uma voz identificada com a direita, com projeção em pautas de segurança pública e liberdades individuais. Seu capital político está associado ao eleitorado conservador mobilizado desde 2018.
Júlia Zanatta (PL) representa uma nova geração, utilizando forte presença nas redes sociais para combinar pautas conservadoras com estratégia digital. Defende a família, a vida desde a concepção e as liberdades individuais, incluindo o armamento civil e a liberdade econômica.
Na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) atua em pautas conservadoras, especialmente em educação e costumes. Professora e historiadora, é uma das principais vozes do campo conservador no legislativo catarinense.
O senador Jorge Seif Júnior (PL) tem focado seu mandato em pautas de desenvolvimento econômico, geração de empregos e liberdade econômica, com atenção especial a setores produtivos como pesca, agronegócio e indústria.





















