Estrategista prevê que parcelas de dívidas renegociadas podem pesar contra Lula em 2026
Medidas de renegociação de dívidas promovidas pelo governo federal, como o Desenrola Brasil e o Move Brasil, podem se transformar em um obstáculo político para o presidente Lula (PT) na campanha eleitoral de 2026. A avaliação é do estrategista eleitoral Roberto Reis.
Segundo Reis, os benefícios imediatos que as famílias obtêm com esses programas tendem a se reverter em novas parcelas de pagamento. Essas parcelas coincidiriam com o período crucial da corrida presidencial, potencialmente gerando insatisfação.
A análise foi apresentada durante o evento Money Week 2026, focado em finanças e investimentos, em Balneário Camboriú (SC). A reportagem participou do evento a convite dos organizadores.
Como funcionam os programas de renegociação de dívidas
O Desenrola Brasil, lançado em maio, visa a renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contraídas até janeiro de 2026. O programa oferece descontos de até 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. Uma das facilidades é a possibilidade de usar parte do FGTS para abater o débito.
Já o Move Brasil é uma linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada a motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores. O objetivo é facilitar o financiamento de veículos, com juros subsidiados e prazos de pagamento estendidos, buscando **aliviar o peso do endividamento** para esses profissionais.
Impacto eleitoral e perfil do eleitor
Roberto Reis argumenta que o impacto desses programas não atinge toda a população de forma abrangente. Ele ressalta que quatro em cada cinco pessoas no Brasil estão endividadas, o que sugere que muitos ainda não foram contemplados ou que o alívio é temporário.
O estrategista prevê que o desgaste da imagem do governo pode se intensificar justamente quando o eleitorado sentir o retorno das dívidas renegociadas. Essa percepção negativa pode afetar a decisão de voto em um momento crítico da campanha.
A importância do eleitor indeciso
A análise de Reis aponta que cerca de 20% do eleitorado é o que efetivamente oscila entre candidatos e tende a ser decisivo nas eleições. Esse grupo, segundo o estrategista, estaria mais sensível às condições econômicas do momento do que a disputas ideológicas.
Portanto, qualquer instabilidade financeira sentida por essas famílias, mesmo que decorrente de parcelas de dívidas renegociadas, pode ter um peso significativo na decisão de voto em 2026, representando um **desafio para a reeleição de Lula**.





















