A Jornada de Luciano Hang: De Empresário a Ícone de Marketing da Havan
O que começou em 1986 como uma modesta loja de tecidos em Brusque, Santa Catarina, floresceu na Havan, uma rede com impressionantes 190 megalojas espalhadas pelo Brasil. Essa expansão notável, presente em 23 estados e no Distrito Federal, tem um nome forte por trás: Luciano Hang.
Com o tempo, Hang transcendeu o papel de empresário para se tornar a própria cara das estratégias de marketing da Havan. Ele conquistou quase 15 milhões de seguidores nas redes sociais, transformando a empresa em um verdadeiro fenômeno de negócios e um case de sucesso em marketing.
Carinhosamente apelidado de “Véi da Havan”, ele atrai multidões por onde passa, admirado por sua trajetória pessoal e pela grandiosidade da rede de lojas, facilmente reconhecida pela icônica Estátua da Liberdade e suas fachadas inspiradas na Casa Branca. Conforme informações divulgadas pela própria rede, a Havan completa 40 anos com planos de expansão para Ceará, Amapá e Roraima, os únicos estados ainda sem unidades da empresa.
A Virada Estratégica: O Dono no Centro das Atenções
Luciano Hang revelou à reportagem da Gazeta do Povo que, por muitos anos, a intenção era manter a Havan em evidência, e não a si mesmo. “Somente depois de 30 anos que resolvi aparecer para acabar com rumores e fofocas de que a Havan era do filho de um político, de chineses, americanos ou de outros estrangeiros”, explicou ele.
Essa decisão marcou o início de uma nova fase, com a primeira campanha apresentando Luciano Hang e o questionamento “de quem é a Havan?”. A **excelente receptividade** do público impulsionou o empresário, a partir de 2018, a ganhar visibilidade também como um ativista político, participando ativamente das discussões eleitorais.
“Naquele ano tinha eleição para presidente, senador, deputados e governadores, e eu queria dar a minha opinião sobre os candidatos. Desde então continuo falando o que penso e também sigo à frente de muitas campanhas publicitárias da Havan, como protagonista”, afirmou Hang, ressaltando seu papel central na comunicação da marca.
Marketing Humanizado: Conectando Coração com Coração
Para Luciano Hang, uma empresa é feita de “corpo, alma e coração”, e a Havan preza justamente pelo **marketing humanizado**. “E nada melhor do que a figura do proprietário para dizer o que pensa da empresa, como ela funciona e deve ser. Dessa forma conseguimos ganhar o coração dos nossos clientes”, defende o empresário.
Para que essa engrenagem funcione perfeitamente, a Havan conta com uma agência de publicidade própria, composta por cerca de 80 colaboradores. A máxima é clara: “A Havan é a cara do dono e o dono é a cara da Havan”, como ele mesmo crava.
Marcos Bedendo, especialista em marketing e branding da ESPM, corrobora que transformar o dono em símbolo da marca não é novidade, especialmente no varejo. Historicamente, empresas sempre estiveram associadas à figura de seus líderes, transmitindo **credibilidade e confiança**.
O Poder das Redes Sociais na Personalização da Marca
Bedendo explica que a personalização da marca, impulsionada pelas redes sociais, permite “humanizar quem está por trás da marca”. As pessoas desejam conhecer o dono ou o CEO, e essa conexão se torna um diferencial competitivo. “As pessoas querem saber quem é o dono ou o CEO”, disse.
O especialista aponta que o carisma e a forma peculiar de comunicar de Luciano Hang o tornam um **porta-voz natural e eficaz** para a Havan. “A pessoa pode gostar ou desgostar do Luciano Hang, mas ele tem uma forma peculiar, ele se sente bem se expondo em público. Então ele é, naturalmente, um candidato a ser porta-voz que faz sentido para sua marca”, comentou.
A presença de Hang nas redes sociais fortalece a conexão com o público, seguindo o mantra “pessoas se conectam com pessoas, não com marcas”. No entanto, Bedendo ressalta que essa visibilidade, por si só, não garante resultados financeiros automáticos. “Não necessariamente isso vai gerar vendas ou expansão. É uma forma de comunicação que pode ser mais efetiva em algumas situações”, ponderou.
Riscos e Recompensas da Visibilidade do Fundador
Ao assumir o papel de principal porta-voz, Luciano Hang se torna um influenciador de sua própria marca, o que traz **oportunidades e riscos**. Posicionamentos pessoais, especialmente políticos, podem impactar a percepção do público, “aproximar alguns grupos e afastar outros”, segundo Bedendo.
Diferentemente de celebridades contratadas, o fundador não pode ser facilmente dissociado da empresa. “Não dá para mandar embora o fundador. Ele direciona a marca para um caminho”, concluiu o especialista, destacando a **irreversibilidade da associação** entre Luciano Hang e a Havan.
Os números da Havan demonstram o sucesso dessa estratégia. Em 2025, o faturamento atingiu R$ 18,5 bilhões, um **crescimento de mais de 16%** em relação ao ano anterior, a maior marca da empresa. O lucro líquido alcançou R$ 3,5 bilhões, refletindo o aumento de clientes e o desempenho das vendas, impulsionados, em parte, pela forte estratégia de marketing centrada na figura de seu fundador.





















