Racha no PSD de Santa Catarina: Prefeito de Florianópolis será expulso após apoiar governador do PL
O Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina está em crise. O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), enfrenta um processo de expulsão após declarar apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A decisão foi motivada pela declaração de Topázio, que contrariou a estratégia do partido, liderada pelo pré-candidato ao governo estadual, João Rodrigues (PSD).
A polêmica se intensificou após João Rodrigues, prefeito de Chapecó, classificar o ato de Topázio Neto como “traição”. Em resposta, o presidente estadual do PSD, Eron Giordani, anunciou que o processo de expulsão seria aberto na semana seguinte, contando com o respaldo da executiva nacional do partido.
A divergência expõe um forte atrito interno na legenda, que busca consolidar uma chapa competitiva para as próximas eleições. Conforme informação divulgada pelo portal Upiara.net, o prefeito de Florianópolis declarou em entrevista: “Eu fico no PSD, não tenho prazo para sair, tenho muitos amigos no partido, mas vou participar da campanha do governador Jorginho em tudo o que ele precisar. Não é segredo para ninguém que ele é o meu candidato a governador. Vou apoiá-lo na reeleição e, em tudo aquilo que ele achar que posso contribuir, estarei à disposição”.
João Rodrigues se consolida como pré-candidato e critica aliança de Topázio
João Rodrigues, que deixará a prefeitura de Chapecó em 21 de janeiro, confirmou sua pré-candidatura ao governo estadual e criticou duramente a posição de Topázio Neto. “A gente esperava que, nesse processo, o prefeito da capital devolvesse a lealdade que tivemos com ele. Mas para resolver os problemas financeiros da cidade, ele se entrega ao governador para conseguir convênios, trai seus princípios e trai o partido de que faz parte. Até agora vínhamos tolerando”, afirmou Rodrigues.
Eron Giordani, presidente estadual do PSD, reforçou a posição de Rodrigues, declarando: “A partir do trabalho em Chapecó, ele conquistou a simpatia do catarinense e até o apreço nacional em função de seu posicionamento. Portanto, com respaldo do presidente nacional, Gilberto Kassab, quem estiver no PSD estará no projeto liderado por João Rodrigues”.
Críticas internas e o peso de Jorge Bornhausen
A crise no PSD catarinense também envolveu críticas de Jorge Bornhausen, uma figura proeminente da direita no estado. Bornhausen criticou a “impetuosidade” de Rodrigues e chegou a sugerir que ele poderia renunciar à pré-candidatura ao governo. O ex-governador e ex-senador defende outros nomes do partido, como o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Júlio Garcia, e o ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, como alternativas para a disputa contra Jorginho Mello.
Em resposta moderada, João Rodrigues reconheceu a importância de Bornhausen, mas ressaltou a mudança do cenário político: “É o último dos moicanos e temos que respeitar. Com 90 anos, tem uma cabeça que é um espetáculo, sabe conversar e articular, mas vive o seu tempo da política. O momento atual mudou muito em relação ao que era anos atrás.”
Topázio Neto isolado no PSD e insatisfação com falta de apoio
Segundo Eron Giordani, Topázio Neto estaria isolado dentro do PSD catarinense e teria se distanciado das bases do partido. Giordani cobrou fidelidade, lembrando o apoio financeiro significativo destinado à eleição de Florianópolis em 2024, enquanto muitos outros candidatos do partido não receberam recursos. “O partido passou as eleições municipais de 2024 com muita dificuldade, com o PL tentando colar a imagem de que quem não era ’22’ era de esquerda. Nessa eleição, tivemos apoio da executiva nacional para destinar mais de 30% do fundo eleitoral de Santa Catarina exclusivamente para a eleição de Florianópolis. Enquanto isso, 65 de 90 candidatos que o partido teve não receberam sequer um centavo”, declarou Giordani.
O presidente estadual do PSD também apontou outras ações de Topázio Neto que teriam desagradado o partido, como a escalada de seu chefe de gabinete para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos e tentativas de desmobilizar a chapa de aliados. Até o momento, o prefeito Topázio Neto não se pronunciou oficialmente sobre o processo de expulsão.





















