Apesar do Aumento no Gasto Turístico, Serra Catarinense Enfrenta Desafios Econômicos Inesperados
A temporada de inverno de 2026 na serra catarinense registrou um aumento expressivo nos gastos dos turistas, que cresceram 4% em relação ao ano anterior. O valor médio gasto por grupo de visitantes alcançou R$ 3.852, impulsionado principalmente por despesas com hospedagem, alimentação, compras e pacotes turísticos.
Contudo, um cenário paradoxal se desenhou para os empresários da região. Eles relataram uma queda de 6% em seus faturamentos, contrastando diretamente com o aumento do consumo declarado pelos visitantes. Essa discrepância levanta questões sobre a distribuição dos recursos e a real beneficiação da economia local.
Os dados são fruto de uma pesquisa divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio), que analisou o período de maior fluxo turístico nas charmosas cidades serranas. A análise busca entender as nuances por trás desse cenário econômico peculiar.
Perfil do Turista e Seus Hábitos de Consumo
A pesquisa da Fecomércio detalha que 80% dos turistas realizaram compras no comércio local durante sua estadia. Visitantes que optaram pelo transporte aéreo apresentaram o maior gasto médio por grupo, atingindo R$ 5.995. Já os excursionistas, que visitam a região sem pernoitar, tiveram um gasto médio de R$ 664.
O perfil do turista também apresentou mudanças significativas. Cerca de 41,5% dos visitantes declararam possuir renda familiar superior a oito salários mínimos, indicando um público com maior poder aquisitivo. Apesar disso, a maioria dos turistas, 60,9%, ainda é proveniente do próprio estado de Santa Catarina.
Urubici Lidera em Hospedagens, Mas Benefícios Não Chegam a Todos
Na análise por municípios, Urubici despontou como o principal destino, concentrando mais da metade das hospedagens registradas na temporada de inverno. Cidades como São Joaquim e Lages também figuram entre os destinos mais procurados, atraindo um volume considerável de visitantes.
Apesar do expressivo fluxo de turistas e do aumento no gasto individual, a queda no faturamento dos empresários sugere que os benefícios econômicos não estão sendo distribuídos de forma equitativa. Os motivos para essa disparidade entre o consumo declarado e o faturamento real ainda são objeto de investigação e análise mais aprofundada pela Fecomércio.
O Que Explica a Discrepância no Faturamento?
A pesquisa não detalha as razões específicas para a diferença entre o aumento do consumo relatado pelos visitantes e a queda no faturamento informada pelos comerciantes. Especialistas apontam que fatores como aumento de custos operacionais para os empresários, maior concentração de gastos em grandes redes hoteleiras ou plataformas de reserva, e a informalidade podem estar contribuindo para esse cenário desafiador na serra catarinense.
A expectativa é que novas análises e discussões com os setores envolvidos possam trazer à tona as causas dessa discrepância e auxiliar na formulação de estratégias para garantir que o aumento do turismo se traduza em prosperidade real para os negócios locais na serra catarinense.











