Sul do Brasil se consagra como potência mundial na produção de queijos finos, conquistando prêmios internacionais com produtos de alta qualidade.
A região Sul do Brasil tem se consolidado como um polo de excelência na produção de queijos, atraindo reconhecimento global. A combinação de clima favorável, terroir diversificado e a forte herança da colonização europeia são fatores cruciais para esse sucesso.
Estados como Santa Catarina e Paraná, além da tradicional força de Minas Gerais, têm apresentado queijos que impressionam jurados e consumidores em competições internacionais. Pequenas queijarias familiares, com foco em qualidade e tradição, estão no centro dessa revolução queijeira.
Na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, o protagonismo do Sul foi inegável, com queijos catarinenses e paranaenses recebendo os mais altos louros. Esse reconhecimento demonstra a maturidade do setor e o potencial de crescimento dos pequenos produtores. Conforme informação divulgada pela organização do evento, mais de 2 mil queijos de 30 países foram avaliados por 300 jurados.
O Sabor do Terroir Sulista no Pódio Mundial
O queijo Reserva do Vale, da Queijos Possamai em Pouso Redondo (SC), foi eleito o melhor queijo do mundo na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil. Este prêmio marca a segunda vez consecutiva que Santa Catarina alcança o topo do pódio, evidenciando a qualidade e o cuidado na produção local. O Reserva do Vale é um queijo autoral maturado, com cerca de 12 meses de maturação, que busca expressar a identidade única do terroir da fazenda.
Marlon Possamai, proprietário da Queijos Possamai, destaca que o diferencial do Reserva do Vale reside na matéria-prima integralmente de produção própria e no processo cuidadoso de maturação. A certificação obtida pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) também foi fundamental para ampliar o alcance comercial e profissionalizar os processos, garantindo controle de qualidade e rastreabilidade.
A presidente da 4ª edição do Mundial de Queijos, Débora Pereira, ressalta que o clima mais frio e úmido do Sul favorece a maturação controlada dos queijos, minimizando defeitos e realçando sabores. Ela descreve os Campos Gerais, no Paraná, como um excelente terroir para queijos, ecoando descrições históricas de paisagens paradisíacas.
Santa Catarina: Tradição Europeia e Diversidade que Encantam
Santa Catarina reúne condições excepcionais para a produção de queijos de alta qualidade. O clima ameno, especialmente nas regiões de altitude, contribui para a produção de leite com melhor estabilidade microbiológica e composição equilibrada. A forte influência da colonização europeia trouxe consigo uma rica cultura queijeira e a valorização de produtos artesanais.
Andressa Dalila Bianchi, presidente da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal de Santa Catarina (Artequeijo SC), aponta a diversidade de terroirs dentro do estado, como regiões de altitude e vales úmidos, como um fator que permite a produção de diferentes estilos de queijo. Essa combinação de clima, cultura e territorialidade é um diferencial competitivo.
Segundo Andressa, o tamanho da operação não é o único determinante da qualidade, mas sim o cuidado com o processo, a matéria-prima e a identidade do queijo. As premiações de queijos catarinenses servem de inspiração para outros produtores, reforçando que pequenas agroindústrias podem, sim, alcançar padrões internacionais e demonstrando a maturidade do setor.
Paraná: Inovação e Tradição Garantem Selos de Ouro
O Paraná também se destacou no Mundial do Queijo, com quatro queijos conquistando o selo “Super Ouro”, o nível máximo de premiação. Estes queijos foram reconhecidos pela excelência em sabor, textura e aroma, próximos à perfeição.
Entre os premiados paranaenses estão o queijo Abaporu da Queijaria Flor da Terra, uma releitura contemporânea com maturação em madeiras aromáticas nativas. A Cooperativa Agroindustrial Witmarsum apresentou seu queijo tipo gouda com sabor intenso e notas de nozes. A Queijaria Deleite foi reconhecida pelo seu queijo frescal, destacando o frescor e a qualidade da matéria-prima.
O queijo Vale do Heimtal, com um ano de maturação, e o queijo Bacchus do Ateliê Lotschental, maturado com borra de vinho, também receberam honrarias. O Bacchus, inclusive, ficou em 2º lugar na categoria “Campeão dos Campeões”. O queijo Passionata da Flor da Terra, com infusão de maracujá, conquistou o 3º lugar na mesma categoria.
A força da cadeia leiteira paranaense, que ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de leite, é um pilar fundamental para a tradição queijeira do estado. O Valor Bruto de Produção (VBP) do setor no Paraná alcança R$ 12,1 bilhões, demonstrando seu peso econômico.
O programa de formação de queijeiros no Paraná, conduzido pelo Biopark em parceria com o IDR, aposta em método e assistência técnica para que famílias rurais produzam itens de alto valor agregado. “Desenvolvemos queijos que estimulam diferentes sentidos, com variações de textura, temperatura e impacto visual. Quando o consumidor se surpreende a cada etapa da degustação, o produto deixa de ser apenas um alimento e passa a contar uma história”, afirma Kennidy de Bortoli, pesquisador do Biopark.





















