Temporada Migratória Traz Triste Balanço: 796 Pinguins-de-Magalhães Mortos em Florianópolis
As praias de Florianópolis, em Santa Catarina, registraram um número alarmante de pinguins-de-Magalhães mortos. Do início do outono até a última quarta-feira (17), foram contabilizadas 796 aves sem vida. Os dados são da Associação R3 Animal, responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), conduzido pelo Ibama na capital catarinense.
Um dia específico, 10 de junho, chamou a atenção ao registrar 69 pinguins mortos, sendo a Praia do Moçambique a mais afetada, com 21 animais encontrados. No mesmo dia, cinco pinguins vivos foram resgatados em diferentes pontos do litoral, indicando a complexidade da situação.
Apesar do número expressivo, a Associação R3 Animal considera o balanço como esperado para esta época do ano. Todos os anos, durante os meses mais frios, os pinguins-de-Magalhães iniciam uma longa jornada em busca de alimento, saindo de suas colônias na Patagônia argentina e nas Ilhas Malvinas. Conforme divulgado pela Associação R3 Animal, a temporada deste ano teve início no dia 19 de maio.
A Jornada Perigosa dos Pinguins Jovens e Inexperientes
A técnica de monitoramento Mariê Loro explica que muitos pinguins jovens e inexperientes chegam às praias brasileiras em condições precárias. Eles frequentemente aparecem exaustos, caquéticos e hipotérmicos, tornando a jornada migratória extremamente desafiadora. Infelizmente, muitos não resistem à exaustiva viagem, o que justifica o alto número de registros de animais mortos.
Em comparação com o ano anterior, a temporada de 2023 começou mais tarde, no fim de junho. Durante todo aquele ano, as equipes de monitoramento encontraram 2.615 pinguins mortos e 120 vivos nas praias de Florianópolis, segundo dados da R3 Animal. A expectativa é que a presença dessas aves no litoral catarinense se estenda até setembro e outubro, quando iniciam o retorno para suas colônias reprodutivas.
Pinguins Resgatados São Encaminhados para Reabilitação
Os pinguins encontrados com vida recebem atendimento especializado. As equipes de resgate os encaminham para o Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (Cepram), localizado no Parque Estadual do Rio Vermelho. A reabilitação é realizada sob responsabilidade do Instituto do Meio Ambiente (IMA-SC), em parceria com a Polícia Militar Ambiental.
Após passarem pelo processo de recuperação, os pinguins são devolvidos à natureza. Desde o início da temporada migratória, a equipe já socorreu 44 animais. A R3 Animal prevê que os registros de pinguins, tanto vivos quanto mortos, continuem nos próximos meses, especialmente com a aproximação do inverno.
O Que Fazer ao Encontrar um Pinguim na Praia
Em caso de avistamento de um pinguim na água, a orientação é não intervir imediatamente. A técnica Mariê Loro esclarece que alguns animais podem permanecer próximos à costa, nadando e se alimentando. As equipes de resgate só entram em ação quando um pinguim encalha na faixa de areia.
A população é orientada a **não tentar alimentar ou fazer carinho** em pinguins encontrados na praia. Essa atitude pode prejudicar o animal e dificultar seu resgate e reabilitação. O cuidado e a observação à distância são fundamentais para garantir a segurança dessas aves durante sua desafiadora migração.





















