Eduardo Braide vence eleição para governador do Maranhão em primeiro turno, em resultado que altera o cenário político estadual.
O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, do PSD, foi eleito governador do Maranhão no primeiro turno das eleições de 2026. A confirmação veio neste domingo (4), com a apuração de 97,8% das seções eleitorais. Braide obteve 54,16% dos votos válidos, totalizando 2 milhões de votos, o que garantiu sua vitória sem a necessidade de um segundo turno.
Este resultado representa uma mudança significativa no poder do estado, encerrando o ciclo do grupo político que estava no Executivo maranhense desde 2015, com a eleição de Flávio Dino. A disputa de 2026 se desenhou com a fragmentação do grupo que governou o Maranhão por dois mandatos consecutivos, impactando a sucessão.
A apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicou que Orleans Brandão (MDB) ficou em segundo lugar com 34,63% dos votos (1,3 milhão), seguido por Felipe Camarão (PT) com 9,59% (365 mil). Os demais candidatos, Roberto Rocha (PRTB), André Luis (Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO), obtiveram votações inferiores.
O fim de uma era no Palácio dos Leões
A eleição de Eduardo Braide põe fim a um período de gestão do grupo político que iniciou com Flávio Dino em 2015. Carlos Brandão, que foi vice de Dino e assumiu o governo em abril de 2022, não conseguiu manter a continuidade de seu grupo. Seu vice, Felipe Camarão, buscou se apresentar como herdeiro do legado de Dino, mas não obteve votos suficientes.
O rompimento entre Carlos Brandão e Flávio Dino reorganizou o cenário político. Brandão, que alegou divergências e interferências políticas, decidiu permanecer no cargo até o fim de seu mandato em dezembro de 2026, impedindo que seu vice, Felipe Camarão, assumisse o governo. Essa decisão fragmentou ainda mais as forças políticas estaduais.
Estratégias de campanha: Inovação contra Continuidade
Eduardo Braide, que renunciou à prefeitura de São Luís em março deste ano, focou sua campanha em propostas de inovação. Seu plano de governo incluiu a redução do ICMS para estimular a economia, a criação da “Força Estadual de Combate à Pobreza”, o programa “Hospital Novo” para unidades de saúde regionais, e a expansão de creches em tempo integral, além da valorização dos professores.
Por outro lado, Orleans Brandão apostou na continuidade de gestão, apresentando sua candidatura como um “avanço” sobre o trabalho de seu tio, Flávio Dino. Ele prometeu manter os avanços na redução da extrema pobreza e expandir a regionalização da saúde, além de implementar o programa “Cinturão da Paz” de videomonitoramento.
Felipe Camarão, buscando capitalizar o apoio do presidente Lula e do ministro Flávio Dino, citou o nome do ministro em seu plano de governo 16 vezes. Ele prometeu recuperar políticas consideradas “interrompidas” e focou na regionalização da saúde, reindustrialização e fortalecimento de programas sociais.
O Maranhão e seus desafios sociais e econômicos
O Maranhão enfrenta desafios sociais e econômicos persistentes. Segundo dados do IBGE de 2025, o estado registrou a **menor renda domiciliar per capita do país**, com R$ 1.219, pouco mais da metade da média nacional. A **dependência de programas sociais é alta**, com 45,6% dos domicílios atendidos, atrás apenas do Pará.
Em 2024, o Maranhão teve a segunda maior taxa de população vivendo na pobreza, 46,1%, atrás do Acre. O **déficit histórico em saneamento básico** e a **baixa geração de empregos formais** são outros gargalos estruturais que o novo governador terá que enfrentar.
Trajetória de Eduardo Braide
Eduardo Braide construiu uma carreira política sólida antes de almejar o governo estadual. Ele foi deputado estadual, deputado federal e, de 2021 a 2026, prefeito de São Luís, onde foi reeleito em primeiro turno em 2024 com 70,12% dos votos. Sua vitória em 2026 consolida seu espaço político no Maranhão, apresentando uma nova alternativa de gestão para o estado.











