Jaguaruna, SC, é reconhecida como a Capital Nacional da Maior Onda do Brasil, impulsionada pela Laje da Jagua, um tesouro do surfe de ondas grandes.
A cidade de Jaguaruna, localizada no litoral sul de Santa Catarina, ostenta oficialmente o título de Capital Nacional da Maior Onda do Brasil. Esta designação, formalizada pela Lei nº 15.461, reconhece o município como o epicentro das ondas gigantes surfadas e registradas no país, um feito que atrai olhares do mundo do surfe.
O reconhecimento tem como base a impressionante Laje da Jagua, uma formação rochosa submersa em alto-mar, a aproximadamente cinco quilômetros da costa. Foi neste cenário desafiador que o surfista Lucas Chumbo, em 30 de julho de 2025, registrou uma onda de 14,82 metros, superando o recorde anterior e colocando Jaguaruna no mapa internacional do surfe de ondas grandes.
Essa façanha não apenas solidificou a fama da Laje da Jagua, apelidada de “Nazaré Brasileira”, mas também abriu portas para eventos de calibre mundial. Conforme informações divulgadas, Jaguaruna está na janela de espera para sediar o Mormaii Big Wave Challenge, que promete ser a primeira etapa de um campeonato mundial de ondas grandes na remada realizado no Brasil.
A Laje da Jagua: O Gigante Submerso Que Cria Ondas Monumentais
A Laje da Jagua, situada a cerca de cinco quilômetros da costa de Jaguaruna, é uma elevação rochosa submarina que desafia a topografia plana e arenosa da plataforma continental da região. Enquanto a profundidade média do mar ali é de 30 a 40 metros, a Laje eleva o fundo marinho a aproximadamente dois metros, criando um efeito de empolamento nas ondas.
Esse fenômeno ocorre quando a ondulação, carregada de energia, encontra a súbita redução de profundidade. Parte dessa energia se converte em altura, gerando as ondas gigantes que atraem surfistas de todo o mundo. Especialistas explicam que as ondulações que chegam à Laje da Jagua frequentemente se originam em regiões próximas à Antártica, impulsionadas por fortes ventos.
Para que as ondas atinjam proporções monumentais, é crucial a combinação de um swell de grande energia com um período e direção adequados. Ondulações vindas do sudoeste são consideradas as mais favoráveis, sendo mais comuns durante o inverno e nos meses imediatamente posteriores. Essa característica geográfica confere à Laje da Jagua o potencial de gerar ondas comparáveis às de locais renomados mundialmente.
Recorde de Lucas Chumbo e a Busca por Mais Marcas Históricas
A onda de 14,82 metros surfada por Lucas Chumbo em 2025, após análise técnica de imagens, foi divulgada como a maior onda registrada e surfada no país. Este feito superou o registro anterior de 13,7 metros, também surfado na Laje da Jagua. A expedição que documentou a onda foi organizada pela Big Wave Brasil, entidade que acompanha a Laje da Jagua desde 2003.
Thiago Jacaré, surfista e um dos fundadores da Big Wave Brasil, ressalta a importância desse registro. “Falava-se muito que havia ondas acima de 10 metros ali, mas faltavam registros. No ano passado, finalmente tivemos essa prova importante”, afirma. Ele também relata ter surfado ondas próximas a 14 metros, mas sem o registro técnico que permitisse a comparação oficial.
Entretanto, especialistas como Mauro Michelena Andrade, professor de Oceanografia Física da Univali, apontam que o registro de 14,82 metros pode não ser a maior onda já formada na Laje. A marca se baseia em dados disponíveis de momentos específicos com surfistas, e a ausência de instrumentos contínuos de medição significa que ondas maiores podem ter ocorrido sem serem registradas, especialmente em condições não propícias ao surfe ou durante a noite.
O Potencial Turístico da “Nazaré Brasileira” e o Mormaii Big Wave Challenge
A prefeitura de Jaguaruna vê no título de Capital Nacional da Maior Onda uma oportunidade estratégica para impulsionar o turismo na região. A cidade integra a Rota do Big Surf, uma iniciativa estadual que visa promover o turismo esportivo em municípios como Jaguaruna, Laguna, Imbituba, Garopaba e Tubarão.
O secretário municipal de Turismo, Dante Gentil, acredita que o título chancela o desenvolvimento de produtos e experiências turísticas em torno da Laje da Jagua. Estão em estudo iniciativas como passeios náuticos até a formação rochosa, experiências de imersão em 3D, acervos técnicos sobre a formação das ondas e naufrágios, e a criação de um monumento de onda gigante.
A cidade também busca integrar a Laje da Jagua a roteiros de cicloturismo e de naufrágios, além de investir na infraestrutura de hospedagem e gastronomia para atrair visitantes mesmo em períodos sem ondas gigantes. A aposta no turismo de ondas grandes é vista como um diferencial para o desenvolvimento econômico e sustentável de Jaguaruna.
Mormaii Big Wave Challenge: A Competição Que Depende do Mar
Jaguaruna tem a expectativa de sediar o Mormaii Big Wave Challenge, uma etapa de um campeonato mundial de ondas grandes na remada. A competição, que prevê a participação de atletas de diversos países, só ocorrerá se as condições do mar forem ideais, com ondas de altura, período, energia e vento adequados.
A janela de espera para o evento está aberta até 30 de novembro, e a decisão de realizar a competição é tomada com base em previsões meteorológicas rigorosas. A Big Wave Brasil monitora os swells com antecedência, emitindo alertas para preparar atletas, equipe e patrocinadores. Uma chamada errada pode resultar em deslocamentos desnecessários, daí a precisão na análise das condições.
Se as condições ideais se confirmarem dentro da janela, Jaguaruna não apenas sediará uma etapa importante do circuito mundial, mas também coroará o campeão mundial de ondas grandes de 2026. A realização do evento consolidaria a Laje da Jagua como um destino de referência global para o surfe de ondas gigantes.
O Recorde Feminino na Laje da Jagua
Em maio deste ano, a Laje da Jagua também foi palco de um feito histórico no surfe feminino. A paranaense Michaela Fregonese surfou uma onda medida em 12,25 metros, que foi apontada como a maior já surfada por uma mulher no Brasil, após uma análise técnica detalhada das imagens da sessão. Este marco demonstra o potencial da Laje da Jagua para ondas de grande porte, tanto para homens quanto para mulheres.





















