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Lula Muda Discurso Sobre Segurança: De Críticas à Polícia a Promessas de Endurecimento Diante da Pressão Popular

Leandro Xavier Por Leandro Xavier
14 de outubro de 2026
em Brasil
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Lula Muda Discurso Sobre Segurança: De Críticas à Polícia a Promessas de Endurecimento Diante da Pressão Popular
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Revisado por Leandro Xavier, editor do Fórum Revista Brasil, em 14/10/2026.

Lula ajusta discurso sobre segurança pública em resposta à pressão popular e aumento da criminalidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem demonstrado uma notável flexibilidade em seu discurso sobre segurança pública desde o início do terceiro mandato. Especialistas apontam que essa mudança de tom é uma resposta estratégica às crescentes preocupações da população com a violência e o crime organizado, refletidas em pesquisas de opinião que indicam a insegurança como um dos principais anseios do eleitorado brasileiro.

Ações audaciosas de facções criminosas e o aumento de crimes como roubos e furtos de celulares mantêm o debate sobre a segurança em alta, levantando questionamentos sobre a eficácia das políticas públicas. Diante desse cenário, a Gazeta do Povo realizou um levantamento sistemático de discursos presidenciais e declarações de ministros, além de analisar pesquisas de opinião nacionais, para mapear a trajetória do discurso governamental.

A análise revela um padrão: o avanço do medo social e a deterioração da percepção pública sobre segurança precedem as mudanças retóricas no Planalto. Essa evolução do discurso presidencial, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, visa alinhar-se às demandas populares, especialmente quando a violência pressiona a popularidade do presidente para baixo.

Críticas iniciais à polícia e o primeiro sinal de alerta

Nos primeiros meses de 2023, o presidente Lula adotou uma postura crítica em relação à atuação policial. Em março daquele ano, durante o relançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, ele afirmou que, nas periferias, o Estado muitas vezes se faz presente “apenas com a polícia para bater”.

Na época, a segurança pública ainda não liderava as pesquisas de preocupação nacional, mas o discurso já gerava preocupações. Alex Erno Breunig, especialista em segurança pública, avaliou que tais falas poderiam deslegitimar as forças policiais e estimular a desconfiança social. Em abril de 2023, uma pesquisa Genial/Quaest indicou que a violência já era a segunda maior preocupação dos brasileiros, citada por 22% dos entrevistados, enquanto a economia liderava com 31%.

Essa pesquisa coincidiu com um momento de queda na popularidade de Lula, com 42% de desaprovação. Sérgio Gomes, investigador de segurança pública, observou a correlação entre o aumento da criminalidade, o temor social e os ajustes no discurso governamental, mesmo sem ações concretas que espelhassem essa mudança.

Promessas de paz e a distância entre discurso e realidade

Em julho de 2023, durante a assinatura do Programa de Ação na Segurança (PAS), Lula reiterou a promessa de um Brasil mais seguro e tranquilo, afirmando que o governo federal trabalharia para reduzir a violência e devolver a normalidade ao cotidiano.

Contudo, os meses seguintes apresentaram um cenário distinto. Organizações criminosas ampliaram sua atuação, e as mudanças estruturais prometidas pelo governo não se tornaram perceptíveis à população. Uma nova pesquisa Quaest, em julho de 2024, mostrou a violência ainda como uma grande preocupação nacional, com 19% das menções, logo atrás da área econômica.

Nesse período, a avaliação popular do governo se mantinha relativamente estável, com 54% de aprovação. No entanto, o constitucionalista Alessandro Chiarottino alertou para uma tensão crescente que se manifestaria com mais força nos meses seguintes.

O divisor de águas: a explosão dos roubos de celular

Um estudo do Datafolha, divulgado em agosto de 2024, revelou um dado impactante: 9,2% dos brasileiros tiveram o celular roubado ou furtado entre julho de 2023 e junho de 2024, totalizando cerca de 14,7 milhões de vítimas. O prejuízo estimado foi de R$ 22,7 bilhões.

Pouco antes da divulgação desses dados, Lula havia criticado policiais e defendido que pessoas pobres não deveriam ser confundidas com criminosos. Com a repercussão negativa da pesquisa, o presidente mudou o tom, declarando que o Brasil não seria uma “República de ladrões de celulares”.

Para o sociólogo Marcelo Almeida, essa pesquisa foi o gatilho para uma nova inflexão discursiva. Em dezembro de 2024, o governo publicou um decreto regulamentando o uso da força policial, impondo restrições operacionais com o argumento de proteção aos direitos humanos. A medida, contudo, gerou reações negativas, levando o governo a divulgar uma nota oficial em janeiro de 2025, afirmando que o texto estava sendo alvo de desinformação.

2025: a violência assume o protagonismo absoluto

Em março de 2025, uma pesquisa Genial/Quaest apontou, pela primeira vez, a violência como a principal preocupação nacional, com 29% das menções. Nesse período, o discurso de Lula mudou significativamente, passando a afirmar que “o Estado é mais forte que os bandidos” e a defender a PEC da Segurança Pública, que enfrentou resistência no Congresso.

O jurista Luiz Augusto Módolo ressaltou a sincronia entre as pesquisas e o discurso, indicando que a preocupação dos brasileiros com a segurança e o avanço das facções criminosas influenciaram diretamente as falas presidenciais.

O paradoxo do desencarceramento em meio ao medo social

Apesar do endurecimento retórico, o governo lançou, em fevereiro de 2025, o Plano Pena Justa, que, segundo especialistas, propunha um desencarceramento em massa. A iniciativa visava reduzir a superlotação carcerária, mas gerou críticas por contradizer o discurso de enfrentamento ao crime organizado.

André Marsiglia, constitucionalista, alertou que liberar presos por pequenos delitos poderia dar legitimidade e sustento financeiro às facções. A declaração de Lula em outubro de 2024, afirmando que “traficantes são vítimas dos usuários”, gerou forte reação popular, com 81% dos brasileiros discordando, segundo pesquisa Genial/Quaest.

A pressão popular não arrefeceu. Em outubro de 2025, uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas mostrou que 45,8% dos brasileiros acreditavam que a segurança pública havia piorado no governo Lula. Esses índices antecederam o envio do PL Antifacção e a sanção de leis mais duras contra organizações criminosas.

Especialistas como Sérgio Gomes e Alex Erno Breunig avaliam que a trajetória do discurso presidencial de Lula reflete uma resposta direta à pressão política e à opinião pública, sem a construção de uma política consistente de longo prazo. Módolo concorda, afirmando que a segurança pública se tornou um “discurso de palanque”, marcado por contradições entre fala e prática, o que poderá pesar na futura campanha de reeleição.

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