Neta de Carlos Marighella, Maria Marighella, é eleita deputada federal pelo PT na Bahia com mais de 108 mil votos
A política brasileira ganha um novo capítulo com a eleição de Maria Marighella, neta do icônico guerrilheiro Carlos Marighella, para a Câmara dos Deputados. Com uma votação expressiva de pouco mais de 108 mil votos na Bahia, Maria Marighella, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), se junta à bancada petista no Congresso Nacional a partir do próximo ano.
Apesar do sobrenome de peso e da história de luta de seu avô contra a ditadura militar, Maria Marighella, de 50 anos, iniciou sua trajetória política mais recentemente, em 2020, quando foi eleita vereadora em Salvador. Sua entrada na vida pública demonstra uma nova geração buscando reescrever e dar continuidade a legados históricos.
A eleição de Maria Marighella para o cargo federal é vista como um marco, conectando o passado de resistência com o presente da política brasileira. Conforme informação divulgada pela fonte, a deputada eleita tem formação em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atuou como atriz, professora e produtora teatral, áreas que certamente influenciarão sua atuação parlamentar.
Trajetória Política e Cultural de Maria Marighella
Antes de se candidatar à deputada federal, Maria Marighella já demonstrava seu engajamento em causas culturais e sociais. Ela foi nomeada presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), ligada ao Ministério da Cultura, em fevereiro de 2023, após a posse do presidente Lula. Este cargo, que deixou para disputar as eleições, evidencia sua relevância no cenário cultural do país.
Anteriormente, durante a gestão da presidente Dilma Rousseff, Maria Marighella ocupou a Coordenação de Teatro da Funarte, entre 2015 e 2016. Em seu mandato como vereadora em Salvador, ela foi responsável pela criação da Frente Parlamentar Mista Ambientalista da cidade e atuou como conselheira da Academia de Letras da Bahia, demonstrando um amplo leque de atuação.
Apoio de Artistas e Acadêmicos na Campanha
A campanha de Maria Marighella ao Congresso Nacional contou com o apoio de personalidades notáveis do mundo das artes e da academia. O ator Wagner Moura, que protagonizou a cinebiografia “Marighella”, lançada em 2021, declarou seu apoio, ressaltando a importância de ter uma “Marighella no Congresso” novamente, em alusão aos 80 anos da eleição de Carlos Marighella para deputado federal.
Outros artistas como Silvero Pereira, Caetano Veloso e Daniela Mercury também aderiram à campanha de Maria. Além disso, a candidata recebeu forte apoio de professores e acadêmicos, consolidando sua base eleitoral em setores que valorizam a cultura, a educação e os direitos sociais.
O Legado de Carlos Marighella, “Inimigo Número 1” do Regime Militar
Carlos Marighella, avô da deputada eleita, foi uma figura central na luta contra a ditadura militar no Brasil. Após se desvincular da política partidária em 1967 e receber treinamento em Cuba, ele liderou a Ação Libertadora Nacional (ALN), um grupo armado responsável por ações de guerrilha urbana em oposição ao regime. A organização participou de assaltos a bancos e outras operações para angariar fundos, conforme relatado pela Comissão Nacional da Verdade.
Em 1969, Marighella escreveu o “Minimanual do guerrilheiro urbano”, um guia que detalhava o planejamento de atos considerados terroristas pelo governo militar. Devido à sua atuação, ele foi classificado como o “inimigo número 1 do Estado”. Em novembro do mesmo ano, Marighella foi morto em São Paulo, em uma operação policial que, segundo a versão oficial da época, teria ocorrido durante um tiroteio. Contudo, investigações posteriores, realizadas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em 1996 e pela Comissão Nacional da Verdade em 2012, contestaram essa versão, concluindo que Carlos Marighella foi **executado**, com a responsabilização do Estado brasileiro.
A eleição de Maria Marighella para o Congresso Nacional, portanto, carrega consigo não apenas um legado familiar, mas também a responsabilidade de dar continuidade à luta por um país mais justo e democrático, honrando a memória de seu avô e as causas que ele defendia.





















