PF prende deputado eleito e delegado do RJ por ligação com crime organizado em esquema de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (15) a oitava fase da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo, e do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A ação investiga o envolvimento de agentes públicos com o crime organizado no Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. A PF apura uma movimentação financeira de impressionantes R$ 7,6 bilhões em 96 estabelecimentos ao longo de seis anos, com a participação direta de agentes públicos e articulação política.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um desdobramento de investigações anteriores que já haviam mirado Canella e Amim. A operação visa desarticular uma organização criminosa armada que usava postos de combustíveis como plataforma para a lavagem de dinheiro, contando com apoio de agentes públicos e influências político-institucionais. Conforme informação divulgada pela PF, a investigação também está relacionada a determinações do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.
Canella e Amim são peças-chave em esquema bilionário
Márcio Canella, segundo a decisão de Alexandre de Moraes, exercia uma função de **elevada relevância dentro da estrutura criminosa**, atuando como principal articulador político da organização. Ele seria o elo entre o núcleo empresarial responsável pela exploração da rede de postos de combustíveis, agentes públicos e demais integrantes da associação criminosa. Sua influência política era utilizada para viabilizar a ocupação de cargos estratégicos na administração pública por pessoas alinhadas aos interesses do grupo, garantindo **proteção institucional** e capacidade de influência sobre órgãos estatais.
Operação cumpre mandados e sequestra bens
A operação autorizada por Moraes incluiu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em diversos municípios do Rio de Janeiro, como Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Além das prisões, o ministro determinou o **sequestro de bens e valores** e a **suspensão das atividades econômicas** de 112 empresas investigadas, a maioria delas ligada ao setor de combustíveis.
Investigações anteriores já haviam atingido figuras públicas
Esta não é a primeira vez que a Operação Unha e Carne atinge figuras de destaque. As fases anteriores da operação já haviam investigado políticos, empresários e integrantes do Judiciário e das forças de segurança. Entre os nomes citados em apurações anteriores estão o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias, e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, em investigações relacionadas a suspeitas de vazamento de informações sigilosas e proteção a integrantes do crime organizado.
Múltiplos crimes sob investigação
Os investigados, a depender da participação atribuída a cada um, poderão responder por uma série de crimes graves. Entre eles estão **organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel**. As defesas de Canella e Amim informaram que não irão se pronunciar até terem acesso aos autos do processo.





















