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Rã que “muge como boi” aciona alerta máximo ambiental em Florianópolis: entenda o perigo da Aquarana catesbeiana

Fórum Revista Brasil Por Fórum Revista Brasil
30 de junho de 2026
em Santa Catarina
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Rã que “muge como boi” aciona alerta máximo ambiental em Florianópolis: entenda o perigo da Aquarana catesbeiana
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Alerta máximo em Florianópolis: a chegada da rã que “mugindo como boi” assusta autoridades e biólogos

Um som peculiar, semelhante ao mugido de um boi, ecoa pelo bairro Ratones, em Florianópolis, e acendeu um alerta máximo ambiental na capital catarinense. Trata-se da rã-touro (Aquarana catesbeiana), uma espécie de origem norte-americana classificada como exótica invasora e que agora demanda ações urgentes de monitoramento e controle.

A presença deste anfíbio gigante em áreas sensíveis como o manguezal de Ratones levanta sérias preocupações sobre o impacto na fauna nativa. A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), em parceria com instituições de pesquisa e órgãos ambientais, está intensificando os esforços para mapear e conter a espécie.

O caso serve como um importante lembrete sobre os perigos da introdução de espécies não nativas em ecossistemas locais. A rapidez na detecção e resposta é crucial para evitar que um foco inicial se transforme em uma invasão consolidada, com consequências ambientais potencialmente irreversíveis. Conforme informações divulgadas pela Floram, o primeiro registro oficial da rã-touro em Florianópolis ocorreu em outubro do ano passado.

O Risco da Rã-Touro para a Fauna Nativa

A rã-touro é considerada uma espécie exótica invasora de Categoria 1 no estado de Santa Catarina, o que significa que ela está sob vigilância rigorosa. Sua introdução no Brasil remonta a 1935, com o objetivo de criação em cativeiro para consumo de carne. No entanto, fugas e solturas ao longo das décadas permitiram que ela se estabelecesse em ambientes naturais por todo o país.

A preocupação principal reside no seu potencial de competir com espécies nativas por recursos e habitat. A rã-touro é um predador generalista, com uma dieta variada que inclui peixes, outros anfíbios, répteis e até pequenos mamíferos. Sua presença em um ecossistema rico como o manguezal de Ratones, que serve de berçário para diversas formas de vida, é um fator de alto risco.

Além da predação, a rã-touro tem uma alta capacidade reprodutiva, características que aumentam significativamente seu potencial de deslocar e prejudicar as espécies que naturalmente habitam a região. A Floram ressalta que o risco não se limita a um único indivíduo, mas ao potencial de estabelecimento de uma população reprodutiva.

Monitoramento e Captura: Ação Rápida em Florianópolis

Desde o primeiro registro em Ratones, a Floram, em colaboração com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Ibama, Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), tem realizado ações de campo para monitoramento e captura. Duas operações, em novembro de 2025 e março de 2026, resultaram na captura de 11 animais, entre juvenis e adultos.

O trabalho segue a lógica de “detecção precoce e resposta rápida”. Segundo Priscilla Tamioso, bióloga da Floram, identificar a espécie logo no início permite compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões embasadas. Os animais capturados são encaminhados para análise na UFSC, incluindo testes para patógenos como o ranavírus e o fungo da quitridiomicose.

Estes patógenos, que afetam anfíbios e peixes, são uma preocupação adicional. Embora não representem risco para humanos ou animais domésticos, sua disseminação pela rã-touro pode ser devastadora para a fauna aquática e anfíbia nativa. A Floram enfatiza que o manejo inadequado por parte da população pode agravar a situação.

A Comunidade como Aliada no Combate à Invasão

Para combater o avanço da rã-touro, as instituições envolvidas apostam no engajamento da comunidade. Moradores, escolas e associações locais são convidados a participar ativamente na identificação e comunicação de avistamentos. A colaboração popular é fundamental para orientar as expedições de campo das equipes técnicas e garantir um mapeamento mais preciso.

O som característico da rã-touro, seu “mugido”, é uma das principais pistas para sua localização. A Floram orienta que qualquer pessoa que ouvir o canto ou avistar o animal deve registrar o local e comunicar a ocorrência pelos canais oficiais da fundação, como e-mail (fdepuc.floram@gmail.com) ou WhatsApp (48) 3237-5660.

É crucial que o manejo da espécie seja feito apenas por equipes treinadas. A recomendação é não tentar capturar, transportar ou eliminar os animais por conta própria, pois isso pode gerar riscos e dificultar a coleta de dados importantes para as análises. O plano de ação também inclui atividades de educação ambiental voltadas para crianças e jovens, visando aumentar a conscientização sobre o problema.

Próximos Passos e a Luta Contra a Consolidação da Espécie

As instituições planejam novas incursões de campo, a ampliação das análises laboratoriais e a definição de estratégias de médio e longo prazo para manter a rã-touro sob controle. A Floram alerta que, se a invasão se consolidar, o controle se torna mais caro, complexo e com menor chance de reverter os impactos ambientais.

A esperança reside na combinação de ciência, monitoramento contínuo e participação comunitária. O objetivo é evitar que a rã-touro deixe de ser um foco localizado no manguezal de Florianópolis e se transforme em mais um caso de invasão consolidada na rica biodiversidade catarinense.

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