Raquel Lyra vence eleição para governo de Pernambuco no primeiro turno
Raquel Lyra, do PSD, foi reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno das eleições de 2026. A vitória a coloca novamente à frente do Palácio do Campo das Princesas para um novo mandato de quatro anos. Ela derrotou o ex-prefeito do Recife, João Campos, do PSB, em uma disputa que polarizou as principais forças políticas do estado.
A eleição deste domingo (4) confirmou a preferência do eleitorado pernambucano por Raquel Lyra. Com 98,96% das seções eleitorais apuradas, a governadora obteve 53,25% dos votos válidos, totalizando 2.776.550 votos. João Campos alcançou 44,82%, com 2.336.547 votos.
A estratégia de Raquel Lyra focou em manter um diálogo com o governo federal, evitando confrontos diretos com o presidente Lula. Paralelamente, ela fortaleceu laços com prefeitos, deputados e lideranças de centro-direita, o que, segundo aponta o conteúdo consultado, contribuiu para a melhora dos índices de aprovação de sua gestão estadual. Essa abordagem, conforme apurado, foi fundamental para sua consolidação eleitoral.
Ascensão de Raquel Lyra e Reviravolta nas Pesquisas
A campanha de Raquel Lyra apresentou uma notável ascensão ao longo do período eleitoral. Inicialmente, as pesquisas de intenção de voto a colocavam atrás de João Campos. Em abril, um levantamento do Real Time Big Data indicava 50% para o ex-prefeito do Recife contra 33% para a governadora. Contudo, a situação se inverteu nos meses seguintes.
No final de julho, a pesquisa Datafolha já apontava Raquel Lyra com 48% das intenções de voto, contra 42% de Campos. Essa tendência de crescimento também foi observada em levantamentos da Quaest. Em julho, Raquel Lyra já aparecia numericamente à frente de Campos no primeiro turno e também em simulações de segundo turno. A mesma pesquisa indicou um aumento na aprovação da governadora, de 62% para 68%, enquanto a desaprovação de sua gestão caiu de 35% para 23%.
Em setembro, a disputa voltou a se mostrar acirrada, com um empate técnico em algumas pesquisas. Um levantamento do Real Time Big Data, divulgado no dia 3 do mês anterior, mostrava Raquel Lyra e João Campos com 43% das intenções de voto no primeiro turno. Em um cenário de segundo turno, ambos registravam 44%. A sondagem também indicou que a governadora tinha uma rejeição de 41%, enquanto Campos apresentava 36%.
João Campos: Legado Familiar e Apoio Federal
João Campos, herdeiro de importantes famílias políticas de Pernambuco, como os Campos e os Arraes, iniciou sua campanha com uma posição favorável, impulsionado pela sua popularidade como ex-prefeito do Recife, onde foi reeleito em 2024 com expressivos 78% dos votos válidos. Sua candidatura contava com o apoio do PSB, PT e de uma ampla aliança política.
O candidato se apresentou como representante de uma nova geração na política pernambucana e buscou reforçar sua ligação com o presidente Lula durante a campanha. A estratégia incluiu a exploração da relação entre as famílias Campos e o presidente em jingles e peças eleitorais, além de destacar ações em parceria com o governo federal. Lula declarou apoio a Campos, e o PT confirmou um único palanque no estado.
Apesar do apoio formal de Lula, a campanha de Campos enfrentou o desafio de converter a aprovação do presidente em votos diretos para o candidato. Pesquisas em setembro, como a da Quaest, mostravam Raquel Lyra com 43% e Campos com 37% no primeiro turno, dentro da margem de erro, e 45% contra 39% em simulações de segundo turno, indicando a dificuldade em consolidar essa preferência.
Campanha Marcada por Ataques e Disputas Judiciais
A campanha de Raquel Lyra enfrentou momentos de tensão com disputas judiciais e ataques em redes sociais. Em julho, a governadora acionou a Justiça Eleitoral para denunciar uma suposta atuação coordenada de perfis falsos e disseminação de notícias falsas contra sua imagem.
Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a remoção de uma imagem gerada por inteligência artificial que associava Raquel Lyra ao senador Flávio Bolsonaro. No mesmo mês, cartazes anônimos espalhados pelo Recife fizeram acusações sem provas relacionadas à morte do marido da governadora, Fernando Lucena, ocorrida em 2022. Uma das peças insinuava que Raquel teria matado o marido para ganhar a eleição, enquanto outra a colocava, por meio de montagem, ao lado de mulheres condenadas por crimes contra seus companheiros.
Raquel Lyra registrou boletins de ocorrência na Polícia Federal e Civil, solicitando a investigação dos responsáveis. João Campos repudiou os cartazes e negou qualquer envolvimento de sua campanha com o material, buscando distância dos ataques e focando em sua própria plataforma eleitoral.





















