Fim da Temporada de Tainha em SC: Decisão Federal Causa Controvérsia e Mobiliza Setores
A tradicional pesca da tainha em Santa Catarina, que atrai turistas e movimenta comunidades pesqueiras, foi abruptamente interrompida neste domingo (7) por uma decisão do Ministério da Pesca e Aquicultura. O governo federal decretou o encerramento da temporada de arrasto de praia para a espécie Mugil liza em 2026, alegando que a cota de captura atingiu 90% do limite estabelecido.
A medida preventiva visa evitar o excedente da cota autorizada, conforme Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51. Até o momento, a safra deste ano já registrava cerca de 1,21 mil toneladas capturadas na modalidade de arrasto, somando mais de 4,6 mil toneladas em todas as formas de pesca, segundo dados do ministério. Embarcações em atividade terão 24 horas para realizar o último desembarque.
A decisão gerou críticas imediatas, com a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD), expressando apoio aos pescadores e destacando o valor cultural e econômico da pesca da tainha para o estado. A fala foi divulgada em vídeo nas redes sociais na noite de domingo.
Tradição Acoriana e Patrimônio Cultural do Estado
A pesca da tainha é uma herança cultural deixada pelos colonizadores açorianos há mais de 200 anos e foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Santa Catarina em 2012. A atividade não apenas sustenta milhares de famílias, mas também influencia a rotina das praias catarinenses, chegando a gerar restrições ao surfe em alguns trechos de Florianópolis para facilitar a pesca.
Pescadores relatam expectativas altas para a safra, com estimativas de capturas expressivas. Em Palhoça, na Grande Florianópolis, pescadores da Praia de Cima estimaram a captura de mais de 30 mil tainhas em um único arrasto. A movimentação intensa de cardumes já era observada em outras praias da região.
Luciano Hang Critica Decisão e Defende Pesca Artesanal
O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, participou de um arrastão da tainha na praia de Bombinhas e celebrou a tradição pesqueira. Em vídeo divulgado na sexta-feira (5), ele apareceu ao lado de pescadores durante a retirada do cardume. Após a decisão federal, Hang se manifestou contra o fim da temporada, classificando-o como sem precedentes e um ataque a uma tradição de mais de 400 anos.
Hang ressaltou a importância da pesca da tainha para a economia local e para a continuidade da tradição entre as novas gerações. Ele mencionou que a pesca movimenta o turismo e sustenta diversas comunidades ao longo do litoral catarinense, destacando a abundância de peixes observada na temporada.
Contexto da Safra e Cotas de Captura
Em 2023, embarcações catarinenses capturaram mais de 2,5 mil toneladas de tainha. Para a temporada de 2026, o Ministério da Pesca e Aquicultura havia autorizado a atuação de 419 embarcações de arrasto de praia, com um limite total liberado de 8.168 toneladas, um aumento de 20% em relação às safras anteriores. Antes da decisão, o secretário da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Fabiano Müller Silva, afirmava que o estado monitoraria o desenvolvimento da safra para defender os pescadores artesanais.
Fatores Climáticos e Modalidades de Pesca
A Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc) aponta que as temperaturas mais baixas têm favorecido a safra deste ano, auxiliando na aproximação dos cardumes da costa. A expectativa era de superar as 1,5 mil toneladas capturadas. O arrasto de praia é uma modalidade exclusiva de Santa Catarina, que utiliza redes lançadas ao mar e puxadas da areia. Outras modalidades, como o emalhe anilhado, emalhe costeiro de superfície, cerco (traineira) e pesca no estuário da Lagoa dos Patos, possuem cotas específicas definidas para a temporada.





















