Avanço evangélico em Santa Catarina consolida força da direita conservadora e influencia o futuro político do estado.
O eleitorado evangélico em Santa Catarina demonstra um crescimento contínuo e uma organização cada vez maior, o que tem levado a uma aproximação significativa com candidaturas de direita. Essa convergência é impulsionada por afinidades em pautas de costumes e valores, projetando-se como uma força a ser considerada nas próximas eleições, incluindo o pleito de 2026.
Essa tendência, que se observa em todo o país, ganha contornos especiais em estados com perfil mais conservador, como é o caso de Santa Catarina. O fortalecimento desse segmento na esfera política reflete uma resposta a discursos que, segundo lideranças religiosas, contrariam a família e os valores cristãos.
Conforme análise do presidente do Conselho de Pastores de Santa Catarina (Copasc), Leonardo Aluísio, essa postura política se alinha ao espectro da direita. Ele destaca que o aumento da população evangélica se traduz na ocupação de espaços políticos, com a eleição de representantes que compartilham a mesma fé e defendem valores semelhantes, como aponta informação divulgada pelo próprio Copasc.
Evangélicos Crescem 32% em Santa Catarina e Ampliam Representatividade Política
Os dados do último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um crescimento expressivo de 32% no segmento evangélico em Santa Catarina desde 2010, totalizando 1,6 milhão de pessoas. Em contrapartida, o segmento católico, embora ainda majoritário com 4,3 milhões de fiéis (64,3% da população), perdeu espaço, caindo de 73,5% em 2010. Isso significa que as igrejas evangélicas ganharam aproximadamente 500 mil membros em pouco mais de uma década.
Aluísio atribui parte desse crescimento à atuação das comunidades religiosas, que promovem ações de apoio, acolhimento e reinserção social, ampliando sua presença no cotidiano das pessoas. O fortalecimento da bancada evangélica também é visível na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), que instalou pela primeira vez a Frente Parlamentar Evangêlica em 2023, contando com seis deputados estaduais, um avanço significativo em relação a mandatos anteriores onde apenas três parlamentares se declaravam evangélicos.
Pesquisa AtlasIntel: Eleitor Evangélico Prefere Candidatos de Direita em Santa Catarina
Uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel em março deste ano aponta que, embora 56% dos catarinenses se declarem católicos, o apoio a candidatos de direita é mais acentuado entre os evangélicos. Enquanto 46,3% dos católicos preferem um candidato alinhado a esse espectro, o índice entre os evangélicos chega a 66,6%. A pesquisa ouviu 1.280 catarinenses, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, registrada no TSE sob o nº SC-05257/2026.
Os dados da AtlasIntel reforçam a influência do voto evangélico no cenário político estadual. Essa preferência por candidaturas alinhadas à direita conservadora tem sido um fator decisivo em eleições recentes, moldando os resultados e as futuras disputas eleitorais em Santa Catarina.
Resultados de 2022 e 2024 Confirmam o Peso do Voto Evangélico Conservador
Os resultados das eleições de 2022 e 2024 em Santa Catarina evidenciam a força do eleitorado evangélico. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve 69,27% dos votos no estado, e Jorginho Mello, seu aliado, foi eleito governador com 70,69% dos votos no segundo turno, a maior porcentagem entre os governadores eleitos naquele ano. Já em 2024, o PL conquistou 90 prefeituras catarinenses, demonstrando a consolidação de sua base.
O cientista político Adriano Cerqueira analisa que esses resultados estão diretamente associados ao peso do eleitorado evangélico, cujos valores como família e liberdade individual orientam a agenda conservadora. Essa visão é corroborada por pesquisas nacionais que indicam uma forte identificação da maioria dos evangélicos brasileiros com a direita política.
Diferença Histórica: Católicos e Evangélicos no Espectro Político Brasileiro
Uma análise comparativa realizada pela Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Ipespe e UFRJ revela uma diferença notável no posicionamento político entre católicos e evangélicos no Brasil. Enquanto 52% dos evangélicos se declaram de direita, apenas 18% se identificam com a esquerda. Na população geral, esses números são 34% para a direita e 28% para a esquerda.
O cientista político Mário Lepre explica que essa divergência tem raízes históricas. Ele aponta que, entre os católicos, a Teologia da Libertação influenciou um avanço da esquerda em pautas sociais. Em contraste, o segmento evangélico apresenta uma maior coesão de valores, o que impulsiona um discurso alinhado ao campo conservador e, consequentemente, a posições políticas de direita. Santa Catarina, segundo Lepre, é um exemplo claro dessa coesão e da predominância dessa tendência.





















