Goiás se consolida como campeão nacional na produção de girassol, impulsionado por tecnologia e características únicas da planta.
O estado de Goiás alcançou o posto de líder absoluto na produção brasileira de girassol, consolidando sua posição de destaque na agricultura nacional. Com uma produção expressiva e um crescimento notável, o estado demonstra a força de suas lavouras e a eficiência de seus produtores.
A cultura do girassol tem se mostrado uma aliada estratégica para os agricultores goianos, especialmente na segunda safra. Sua capacidade de adaptação ao clima do Cerrado e a versatilidade de seus usos impulsionam a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades rurais.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Goiás é responsável por impressionantes 70% de toda a produção de girassol no Brasil. Essa liderança reflete um investimento contínuo em tecnologia e o aproveitamento das qualidades intrínsecas da oleaginosa, conforme afirma o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Pedro Leonardo Rezende.
Tecnologia e Genética: A Chave do Sucesso Goiano
O sucesso de Goiás na produção de girassol é atribuído, em grande parte, ao investimento em tecnologia e à adoção de materiais genéticos mais adaptados às condições produtivas do Cerrado. “O girassol é uma cultura extremamente adaptada às condições climáticas do Cerrado brasileiro, ainda assim, o estado adotou materiais genéticos mais adaptados às condições produtivas”, explica Pedro Leonardo Rezende.
Essa estratégia permite otimizar o rendimento e a resistência da planta, garantindo colheitas mais robustas e eficientes. A escolha de sementes de alta performance tem sido fundamental para que os agricultores goianos maximizem seu potencial produtivo.
Versatilidade Industrial do Girassol Amplia o Leque de Oportunidades
A versatilidade industrial do girassol é outro fator crucial para sua ascensão em Goiás. As sementes da oleaginosa fornecem um óleo de alto valor nutricional, com aplicações nos setores alimentício, farmacêutico e cosmético. Além disso, o óleo e o grão são utilizados na nutrição animal e na produção de biocombustíveis.
“Além da possibilidade de utilização em aplicações industriais, o grão tem o potencial de ser utilizado para alimentação humana e para alimentação animal. Então, o processo de agroindustrialização dessa cultura traz vantagens significativas à rentabilidade da unidade produtiva”, destaca Rezende.
Eficiência Hídrica e Benefícios para o Solo: Girassol como Aliado da Sustentabilidade
O girassol se destaca por sua notável eficiência hídrica, exigindo cerca de 250 milímetros de chuva ao longo de seu ciclo, significativamente menos que o milho, que demanda pelo menos 600 milímetros. Essa característica o torna uma opção viável em regiões com menor disponibilidade hídrica, como muitas áreas do Cerrado.
A cultura também desempenha um papel importante na fertilidade do solo. O girassol auxilia na recuperação de áreas degradadas e, através da rotação de culturas, fortalece o sistema produtivo. Ele eleva o estoque de matéria orgânica e interrompe ciclos de pragas e doenças, beneficiando especialmente as lavouras de soja e milho.
“O girassol auxilia na recuperação de áreas degradadas. A rotação de culturas fortalece o sistema produtivo, pois o girassol eleva o estoque de matéria orgânica e interrompe ciclos de pragas e doenças, efeito que beneficia especialmente áreas de soja e milho”, explica o secretário.
Integração de Produções e Potencial para Pequenas Propriedades
A integração do girassol com outras atividades agrícolas e pecuárias potencializa seus benefícios. A cultura apresenta alto potencial de retorno ao produtor, sendo uma alternativa viável para propriedades de menor porte. A integração com a apicultura, por exemplo, amplia ainda mais esse potencial.
O agricultor Eweraldo Garcia, que planta girassol há três anos, confirma o sucesso da cultura. Ele iniciou com 200 hectares e expandiu para 800 hectares, destacando a menor exigência da planta em relação à água e sua capacidade de descompactar o solo e auxiliar na reserva de potássio. “Nossa produção é de 800 hectares. É uma cultura com menos exigências e se adapta em região com pouca chuva. Ela ajuda a descompactar o solo e na reserva de potássio. Por isso estamos investindo”, afirma o produtor.
Garcia também ressalta a produtividade e a rentabilidade. “Cada hectare produz 30 sacas de 60 quilos, em média. Aqui próximo de nós temos a Caramuru Alimentos, que compra as sementes de girassol. A média é de R$ 120 por saca”, conta o produtor, evidenciando o forte mercado consumidor para o girassol goiano.
Goiás Mantém Liderança Nacional em Nova Safra de Girassol
Na temporada 2024/25, a produção de girassol em Goiás alcançou 74,2 mil toneladas em uma área plantada de 47,0 mil hectares, com uma produtividade média de 1,5 tonelada por hectare. A previsão para a safra 2025/26 indica estabilidade, consolidando a força do estado no mercado nacional.
Um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) corrobora essa tendência, apontando o avanço do girassol no Cerrado brasileiro e suas vantagens competitivas, como alta tolerância à seca e custos inferiores a outras culturas de segunda safra. Segundo o levantamento, a área plantada no Brasil mais do que dobrou desde 2022.
Historicamente, Goiás figura entre os líderes desde 1997, quando a Conab iniciou o monitoramento. A retomada plena da liderança ocorreu na safra 2020/21, com destaque para os municípios de Silvânia, Ipameri, Rio Verde e Catalão, que concentram parte relevante da produção estadual.
No cenário nacional, o 11º levantamento da Conab para a safra 2024/25 indica que o Brasil produziu 99,3 mil toneladas de girassol. O mercado global, por sua vez, projeta 55,1 milhões de toneladas para 2025/26, com liderança de Rússia, Ucrânia e União Europeia.














